quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Sururu é registrado como Patrimônio Imaterial de Alagoas

O Conselho Estadual de Cultura (CGE) aprovou, por unanimidade, o registro do Sururu como Bem Cultural de Natureza Imaterial, durante reunião deliberativa realizada na tarde desta quinta-feira (11), no Palácio República dos Palmares. O pedido de registro como patrimônio imaterial foi solicitado formalmente pelo professor da Universidade Estadual da Alagoas (Uneal), Edson Bezerra, e pelo estudante de mestrado Ernani Viana Neto.
Para Edson Bezerra, esta é uma conquista do povo alagoano, que possui uma cultura rica e forte e tem o sururu, que está inserido no contexto histórico do estado. “É uma vitória importante, porque o Sururu está inserido em nossa cultura. Desde o tempo dos escravos que o molusco é utilizado em iguarias. Apesar de ser encontrado em outros estados também, ele ficou mundialmente conhecido como prato típico de Alagoas”, comenta.
De acordo com Ernani Viana, todo o processo de criação do texto de fundamentação foi importante para que alcançasse o objetivo. “As entrevistas, as pesquisas em livros históricos e pesquisas com culinaristas foram necessárias para tivéssemos fundamento na formulação do pedido”, explica o estudante de mestrado.
Edson Bezerra utilizou um trecho do livro Calunga, do escritor alagoano Jorge de Lima, para expressar a importância do novo Bem Imaterial. “Sururus existem em quase todas as lagoas do Brasil. Porém os desta lagoa, devido às circunstâncias especiais explicadas pelos naturalistas, como mistura de água do mar com águas dos rios que desaguam na lagoa, e outras causas, tornam-se como que degenerados, pequenos, gordinhos, gostosíssimos", releu o professor da Uneal.
Após a concessão do registro, foi realizada a leitura dramatizada do documento 'Manifesto Sururu', com performance do ator alagoano José Marcio Passos. Em seguida, aconteceu o lançamento do livro 'Manifesto Sururu: por uma antropofagia das coisas alagoanas', de Edson Bezerra.



Rafael Maynart Gazetaweb

domingo, 23 de novembro de 2014

Os bondes de Maceió Antigo

Conforme o pesquisador estadunidense Allen Morrison, Maceió foi à terceira cidade Brasileira a adquirir bondes a vapor, depois das cidades do Rio de Janeiro e Recife, a linha do bonde ia de Jaraguá a Bebedouro, com 10 km de comprimento abriu em 25 de março de 1868, O sistema foi instalado pela empresa nova-iorquina Thomsen & Com. em associação com o agente brasileiro do General Electric, Eduardo Guinle, usando equipamento da empresa Brill de Philadelphia: dez veículos-padrão, duas gôndolas motorizadas e um carro funeral em 1913, mais seis carros de passageiros em 1918.
Depois o sistema bondes foi adquirido em 1928 pelo empresário de cotonicultura Gustavo Paiva, em seguida a operação do sistema passou à empresa estadunidense Electric Bond & Share. Sua subsidiária Companhia Força e Luz Nordeste do Brasil operaram os bondes de Maceió por 25 anos, o sistema foi extinto em torno de 1956.
Observamos os relatos de como era o cotidiano dos bondes em Maceió através das crônicas de Floriano Ivo: (...) “Crônicas e Depoimentos”, descreve: “Veremos o bonde das doze com a estudantada do Lyceu, do São José e do Diocesano, turminhas de mancebos, geralmente no reboque, grupinhos de lindas mocinhas - hoje elegantes senhoras da sociedade – ali na frente, bancos uns virados para os outros, falando como periquitos irrequietos, mudando de lugar, levantando umas, sentando-se outras o tempo todo em cochichos e sorrisos, flertando mais do que a namorar”. Existiam também os bondes de segunda classe, com bancos laterais e espaço central, mais feios e no entanto mais engraçados, com suas lotações completas da criadagem, trapicheiros, estafetas da Western, raparigas da vida, vendedores ambulantes e suas mercadorias: pato, galinha, peru, peixe, embrulhos disformes com carne de porco, ganchos com toucinho pendurado, rolos de fumo ... E por isso: Lá vai a gaiola da CATU! Diziam.
Se compararmos hoje os meios de transporte de Maceió, notamos que alguns comportamentos ainda são comuns como Vendedores ambulantes e suas mercadorias e pessoas que transportam peixe, embrulhos que circulam  nos atuais ônibus, com sistemas de GPS, Câmeras , só um aspectos que não teve no passado os arrastões a assaltos, hoje  se transformando em cotidiano


Ponte do Fonseca 

Praça Visconde de Sinimbu,ficava a estação dos bondes(hoje espaço cultural da UFAL)



















André Cabral-História de Alagoas

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Arqueólogos acham prisão eclesiástica do século 17 em igreja de Penedo (AL)

Uma reforma para a instalação de banheiros e de um elevador na Igreja e Convento de Santa Maria dos Anjos, no centro histórico de Penedo (a 152 km de Maceió), em Alagoas, fez com que arqueólogos descobrissem no porão uma cela eclesiástica construída no século 17. O local, que antigamente era usados por frades para pagar castigos, foi transformado em depósito e até agora guardava alimentos.
Com a descoberta histórica, o projeto de reforma do convento franciscano, que prevê ainda a substituição de toda parte elétrica, restauração de altares e da nave principal e recuperação das pinturas internas e externas, deverá ser reformulado.Segundo a arqueóloga Danúbia Rodrigues, embaixo do piso atual foram encontrados instrumentos de porcelana, duas panelas de ferro, objetos de cozinha feitos em cerâmica e até restos de comida (mariscos e ostras), resquícios dos que ficaram encarcerados ali."Observando as características do cômodo, que estava sendo usado como depósito da cozinha, verificamos que era a prisão eclesiástica. Agora, o local está fechado e deverá passar por uma adequação para ser aberto para visitação. A nossa indicação é que seja colocado um piso de acrílico para os visitantes verem os achados no piso", disse Rodrigues.Documentos históricos do convento relatam que o local era usado pelos frades por vontade própria ou por punição a infrações cometidas. Jogar cartas no interior do convento era passível de punição no cárcere, por exemplo. Segunda a arqueóloga, os documentos dizem que o convento começou a ser construído no século 17 e, mesmo que tenha demorado um pouco para ficar pronto, é possível dizer que o material encontrado é deste período, quando as celas eram usadas, de acordo com os registros. "Todo material está passando por estudos para ser datado", explicou.
Outros achados
As dependências do convento franciscano também contêm outros materiais arqueológicos do final do século 16 e do início do século 17. As escavações em busca de um cemitério próximo à cela eclesiástica revelaram um muro que deve remeter aos anos de 1500 e 1600, época do período colonial "São vários blocos que formam um muro e nos dão a entender que ali existiram construções antes do prédio do convento ser erguido e também antes da chegada dos franciscanos a Penedo", afirma a arqueóloga. Na área aterrada foram encontrados também frascos de remédios e de tintas, cerâmicas, louças e até cachimbos, que deveriam pertencer aos holandeses.Os arqueólogos também identificaram um sistema de saneamento construído no século 17 nas paredes da prisão eclesiástica, com um sistema de captação e armazenamento de água da chuva.Todos os achados são estudados pelo Nepa (Núcleo de Ensino e Pesquisa Arqueológica) da Ufal (Universidade Federal de Alagoas). Os trabalhos devem ser concluídos em dezembro.
Cidade histórica
As construções históricas de Penedo guardam segredos de séculos, e a cada escavação novas descobertas arqueológicas são feitas. Para não danificá-las, toda reforma em imóveis do centro histórico é monitorada por especialistas. "Penedo abriga o maior centro histórico de Alagoas e qualquer intervenção deve ser feita com acompanhamento de arqueólogos para analisar se existem materiais arqueológicos ou não no lugar da obra. Caso seja encontrado algum material, por se tratar de um município tombado, a obra é paralisada", conta Rodrigues.Penedo foi tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 1986. A cidade possui o centro histórico com conjunto de edificações de igrejas, conventos e outros imóveis que mantém as características originais do período colonial. Penedo foi o primeiro povoado de Alagoas, iniciado no século 16, e fica localizado às margens do rio São Francisco, na divisa de Alagoas e Sergipe



Aliny Gama
 Do UOL, em Maceió



terça-feira, 16 de setembro de 2014

Emancipação de Alagoas: a separação de Pernambuco a construção de uma identidade alagoana


Neste domingo, 16, a emancipação de Alagoas completa 195 anos. O desmembramento do território alagoano da capitânia de Pernambuco aconteceu num período em que o movimento contra a coroa Portuguesa se fortalecia em algumas regiões do país. Apesar de encontrar adeptos em Alagoas, a insurreição contra a monarquia foi "abafada" na Comarca, o que levou historiadores, a exemplo de Francisco Augusto Pereira da Costa, a defenderem a tese de que a emancipação foi concedida em recompensa por Alagoas não ter aderido ao movimento republicado, mantendo-se fiel à Portugal.

Seis décadas depois, Alagoas acabou tendo uma participação destacada na construção da República Brasileira. O proclamador do novo regime, Foi justamente o alagoano, Marechal Deodoro da Fonseca, e o primeiro presidente do Brasil, outro alagoano, Floriano Peixoto. Desta forma, é preciso refletir qual o lugar de Alagoas na história do Brasil? Por que, com uma cultura tão rica, ainda estamos construindo uma identidade alagoana? E por que esse Estado tão promissor, declamado no hino como a "estrela radiosa", ainda hoje concentra índices tão negativos em termos de desenvolvimento social?

Para nos ajudar a pensar sobre os questionamentos que cercam essa importante data histórica, buscamos a ajuda do historiador Antonio Filipe Pereira Caetano, professor Adjunto do departamento de História da Ufal e coordenador do Grupo de Estudos América Colonial. Confira a seguir as reflexões do historiador sobre a Emancipação Política de Alagoas.

Em que contexto se deu a emancipação política de Alagoas? Essa "liberdade" foi mesmo um prêmio da coroa porque Alagoas resistiu aos levantes contra a dominação portuguesa?

Filipe - A emancipação política de Alagoas insere-se nos episódios conectados a Insurreição Pernambucana, em 1817. Movimento este que "conspirava" contra o governo português e chegou a instaurar um governo provisório na sede da Capitania (Recife). Influenciada pelos ideais resgatados da Conjuração Baiana e Inconfidência Mineira, os "pernambucanos" sentiam-se preteridos pelas mudanças impostas pela família real portuguesa que muito mais beneficiava o Rio de Janeiro (sede da corte) do que as outras capitanias. Visto por alguns historiadores com cunho liberal, o movimento tentou se espalhar pelas demais localidades da Capitania, inclusive a Comarca das Alagoas. Com adesão em parte do território Alagoano, o movimento pernambucano foi sufocado com a intervenção do Ouvidor Batalha, que criava um governo provisório desmembrando o território de Alagoas de Pernambuco. A medida de Batalha foi contemplada com a chancela de D. João VI, em 16 de Setembro de 1817, emancipando de vez o território alagoano de Pernambuco.

Em meu entendimento, a liberdade como "prêmio" desmerece o lugar estratégico que o território alagoano ocupava no imaginário político e de poder da administração portuguesa. Isto porque, acredito no profundo conhecimento da coroa portuguesa do território alagoano e de suas diferenças (políticas, econômicas e sociais) em relação à sede da Capitania. Principalmente, se levarmos em consideração que o pedido de desmembrando não era uma novidade nos bastidores portugueses, já citado e incentivado, inclusive, por membros do Conselho Ultramarino.

Quais as consequências desta emancipação para o nosso desenvolvimento social e político?

Filipe - A Emancipação inaugura um novo território administrativo no cenário colonial. Enquanto ligado à Portugal (até 1822), a emancipação trazia uma aliado político nas lutas complicadas de manutenção do governo português na América, situação que estava cada vez mais complicada de se manter. Após a independência brasileira, em 1822, a Província das Alagoas é uma das poucas localidades que reconhece a soberania de D. Pedro I de maneira rápida e imediata. Todavia, acredito que 1817 representa a consolidação de uma "identidade" alagoana, construída ao longo de quase um século a partir da criação da Comarca (1712), possibilitando a demarcação das diferenças culturais e sociais entre Alagoas e Pernambuco.

O que é importante hoje refletir quando pensamos na História de Alagoas?

Filipe - Acredito que a principal reflexão que deve ser feita é: o que é o território alagoano no cenário nacional e de que forma o processo histórico de sua formação contribuiu ou contribui para a manutenção ou alteração dessa imagem?

Sem dúvida, historicamente, o passado alagoano é marcado pelos engenhos de açúcar, pelas lutas dos quilombos, pelos massacres dos caetés e pelos comportamentos "traíras" de Calabar e da "elite alagoana" em 1817. Imagens e histórias contadas e (re)contadas por curiosos, historiadores e livros didáticos. Mas, por outro lado, a questão mais interessante é: até que ponto o passado alagoano se ressume a isso? Ou seja, de que forma Alagoas contribui para a formação cultural nacional? Como o território alicerçou forças políticas brasílicas? Qual o lugar da produção econômica alagoana na tessitura nacional?

E falando de hoje, que herança é essa que nos leva a concentrar os piores indicadores sociais e de violência do país?

Filipe - Acho cruel pensar no passado escravista, monocultor e latifundiário como o único responsável pela mazelas sociais e índices de violência no país e no território alagoano. Sem dúvida alguma, estes são elementos que criaram uma base, um sistema e um mecanismo de controle difícil de se romper. Mas, ao mesmo tempo, o presente com suas contingências e vicissitudes e modelos preestabelecidos demonstram claramente a quem interessa a manutenção da pobreza, do aceleramento das desigualdades sociais e da incidência de atos de violências em áreas específicas do território nacional e local. Só assim para explicar como países que tiveram "heranças" tão similares a nossa possuem, na atualidade, índices baixos de violência e um grande desenvolvimento social. Logo, a raiz de muitas mazelas sociais alagoanas remetem a 1817 não pelo passado colonial mas sim pelos agentes políticos que direcionaram a economia, fundaram ideologias, moldaram comportamentos sociais e restringiram o acesso a "emancipação" de camadas "menores" da população.

Professor, pode ficar à vontade para refletir sobre outras questões que os alagoanos precisam conhecer sobre a história e precisam refletir nos dias atuais...

Filipe - O mais importante ao se refletir sobre a história de Alagoas, em meu entendimento, é privilegiar o que há de particular, específico e peculiar no território alagoano e sua interface com o regional (Pernambuco/Nordeste), nacional e, até mesmo, internacional. Pensar a História de Alagoas aprisionada a Pernambuco não ajuda a compreender a formação de um povo, de uma Comarca, de um Província ou de um Estado da Federação. Questões como a história das irmandades religiosas, da própria escravidão em Alagoas (estudo deveras atrasado em comparação com outros Estados), de suas atividades econômicas e sua inserção no cenário nacional, dos conflitos sociais para além dos quilombos, da constituição dos grupos populares, da formação da cultura local e, o mais importante, da identidade alagoana ainda estão esperando curiosos, pesquisadores e historiadores para serem feitos.

Bibliografia Recomendada:

CAETANO, Antonio Filipe Pereira (Org.). Alagoas e o Império Colonial Português: Ensaios sobre Poder e Administração. Maceió: Cepal, 2010.

LINDOSO, Dirceu. Interpretação da Província. Maceió: Maceió/São Paulo: Catavento, 2000.

SANT’ANA, Moacir Medeiros de (org.) Documentos para a história da independência. Recife: Comissão executiva dos festejos do sesquicentenário da Independência do Brasil/IHGAL, 1972. 



Postado por Lenilda Luna às 10:50 


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Alagoas, recontando a história!

Não é de hoje que há uma enorme contradição com a nossa emancipação política, em 16 de setembro de 1817. São 197 anos de uma história mal contada, até porque, longe dos vultos históricos que ensejaram movimentos de libertação em outras localidades, aqui, na parte sul da Capitania de Pernambuco, foi por causa da traição ao Movimento Revolucionário de Pernambuco, que logrou êxito a nossa dita emancipação. “A Revolução Pernambucana foi um movimento social (revolta) de caráter emancipacionista ocorrido em Pernambuco no ano de 1817”. É considerado um dos mais importantes movimentos de caráter revolucionário do período colonial brasileiro. 
O Ouvidor Batalha (Dr. Antônio Ferreira Batalha) foi o responsável pela criação e da possibilidade de uma Alagoas independente de Pernambuco. Ele orientou a elite local a não tomar parte do movimento que se originara em Pernambuco, e que tinha Padre Roma como um dos principais destaques da luta pela emancipação política, eles não concordavam com a tese do Brasil está submetido a Portugal, muito mais ainda com vinda da família real para o nosso país, por conta do período napoleônico na Europa. A Revolução Pernambucana, é bom ressaltarmos, ensejou a Confederação do Equador, movimento que começa também em Pernambuco, de caráter separatista e Republicano de 1824. Mesmo assim, o Comandante das Armas nessa região, Antônio José Vitoriano Borges da Fonseca, atendendo ao pedido de Padre Roma, emissário dos revolucionários pernambucanos, retirou os símbolos de Portugal dos prédios públicos, destruindo os mesmos e soltando todos os presos da Comarca. Passou por cima do Ouvidor Batalha, que era a autoridade máxima da Comarca. Padre Roma se dirigiu a Sergipe e Bahia, aonde foi fuzilado pelas forças leais à família real portuguesa. A luta pela emancipação, a partir de Pernambuco, foi uma luta patriótica em defesa da soberania nacional, talvez o seu programa fosse difuso, mas era alentador a possibilidade de congregar toda a nação em superar a monarquia e avançarmos para um sistema republicano. Mas eu não posso, em nome da verdade, dizer que a nossa emancipação foi algo revolucionário e duramente buscado por nossa população, isso é mentira, o que houve foi um acordo, bom dizermos, acordo com os setores canavieiros, elitistas com o representante real. Foi um movimento de traição aos ideais de liberdade organizados a partir dos revolucionários em Pernambuco.


José Nivaldo Mota

REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA DE 1817 E OS MOTIVOS DA ‘’EMANCIPAÇÃO” DE POLITICA DE ALAGOAS

Nós éramos do ponto de vista territorial a parte sul de Pernambuco,  A nossa Gênesis por incrível que apareça  nasceu   de um naufrágio e do assassinato do Bispo Fernandes Sardinha na foz entre  do rio Coruripe e são Francisco, pelos índios caetés, fato    esse questionado pelo historiador Álvaro Queiroz(foi uma armação) ,mas esse episódio segundo vários pesquisadores , provocou por parte da Capitania duas expedições, uma chefiada por Jeronimo de  Albuquerque  o sul originado o primeiro Núcleo de povoamento a Cidade de Penedo 1560 ,a segunda expedição foi comandada  por Cristóvão Lins fundou Porto Calvo 1590.
 A região norte de Alagoas foi onde se deu  a origem dos primeiros engenhos de açúcar , da parte sul de Pernambuco- Escurial (Porto de Pedras),Buenos Aires (Camaragibe) . Morro (Porto Calvo) Já Penedo tinha sua atividade voltada para pecuária; A parte sul de Pernambuco foi  dividida em sete sesmarias, a Cristóvão Lins fora doadas as terras que ficavam do cabo de Santo Agostinho ao rio Manguaba (atual cidade de Porto Calvo),a Diogo Soares  as terras da enseda da Pajuçara ao porto do Francês , santa Maria Madalena da Lagoa do sul ( atual Marechal Deodoro); por sua atividade econômica , parte sul de alagoas vai se transformando de Vila ( Alagoas, Penedo e Porto Calvo) a condição de Comarca.
A revolução, que na verdade foi a insurreição Pernambucana de 1817 de caráter Nativista e Republicano e influenciados pelas ideias iluministas, a aristocracia Pernambucana  queria uma sociedade independente e o rompimento da ordem colonial Portuguesa, nesse contexto , a família Real portuguesa(D. João VI)  se encontrava  no Brasil.
 José Ignácio Ribeiro de Abreu e Lima 
Com a expulsão dos Holandeses a Produção do Açúcar entrou em crise afetando  os senhores de engenho os altos impostos Portugueses asfixiavam os colonos  Brasileiros impostos provocando revoltas da sociedade pernambucana, o foco inicial da rebelião foi a cidade de Recife, entre os que se destacavam-se no movimento antilusitano tinham , militares, comerciantes , magistrados, padres e maçons , que  combatiam duramente os comerciantes portugueses, apelidados de marinheiros porque abordavam de navios da Europa; essa rivalidade e o medo levou os portugueses a denunciar ao governador os lideres acusados de conspiração ,o governador determinou  a  prisão dos acusados, o brigadeiro Barbosa de Casto, resolveu fazer pessoalmente as prisões ,quando foi prender  o capitão José de Barros(leão coroado),reagiu à prisão e matou  o brigadeiro Barbosa, os rebeldes tomaram os quarteis saído as ruas ocupado os Barrios de santo Antônio e no  centro, na fortaleza do Brum.cidade de Recife, para não ser preso  o governador Pinto de Miranda pelas sua propiás tropa se refugiou 
fortaleza do Brum   
Os rebeldes formaram um governo composto de vários representantes, comerciantes, Militares, proprietários rurais, e o clero, ficaram no poder por setenta dias ( 6 de março a  20 de maio), tentaram difundir  as ideias as outra capitanias mas fracassaram  na Bahia, o padre Roma e foi preso e fuzilado, no Ceará o levante foi feito no cariri pela família Alencar foi  sufocada Filgueiras; as adesões republicana se deu apenas na Paraíba  e no Rio grande do Norte formando um junta governativa , que se aliou  a Pernambuco, não logrou êxito  por não ter participação popular.

Cidade de São Miguel dos campos
Na parte sul de Pernambuco (hoje Alagoas) veio trazer as ideias de revolução José Ignácio Ribeiro de Abreu e Lima (Padre Roma), indo à Bahia, o líder da revolta e Alagoas foi o Victoriano  Borges da Fonseca, então comandante das Armas de Alagoas A adesão à revolta teve a participação também de setores da aristocracia rural, em são Miguel dos Campos teve adesão de Manoel Viera Dantas, Segundo o Historiador Moreno Brandão: “o único rebelde  de São Miguel” , adesão de  outras vilas como Penedo que foram violentados pelo terror . A única vila que não ocorreu revolta foi Atalaia, Por que lá se encontrava Ouvidor Batalha impediu as proclamações  e revoltas; Na opinião da Professora Isabel  Loureiro, o chefe das armas de Alagoas, Victoriano  Borges ficou constrangido por ter  ajudado o padre Roma , foi a Bahia delatar o movimento  ao conde dos arcos. A vila de Penedo foi duramente reprimida pelas  tropas da reação do conde dos Arcos e ouvidor Batalha com prisões e deportações para  Bahia, foi ainda da cidade de Penedo foi organizada as duas tropas ,( batalhões de  Voluntários), uma formadas por brancos e outra de negros, para combater e debelar a revolta em Recife; em outros pontos de Alagoas  em  Jequiá  da Praia foi preso e esquartejado José Leão, acusado de anti –patriota, em  Porto de Pedras  Nicolau Paes  Sarmento, capitão, foi preso e enviado para Bahia.
cidade de Penedo
Ouvidor Batalha da cidade de Atalaia fiel a coroa, desmembrou Pernambuco, anexando a Bahia e criou um governo provisório até a restauração de Pernambuco, tiveram a participação das tropas vindas da Bahia para reprimir a Revolta. A reação das tropas portuguesas foi radical, atacaram Pernambuco por terra e também por mar cercando o porto de Recife com uma grande esquadra, levando a capitulação dos revolucionários. Os que não morreram em combate, foram fuzilados.

Com o Alvará de D. João assinou (...) sou servido isentá-la absolutamente da sujeição, em que agora esteve do governo da Capitania de Pernambuco, erigindo-a em capitania, com um governo independente que a reja na forma praticada nas mais capitanias independentes”.

 Nomeou o coronel Sebastião Francisco de Mello Póvoas o primeiro governador, que chegou no dia 27 de dezembro de 1817, desborcou no porto de Jaraguá; suas primeiras medidas instalação da junta administração, Arrecadação da real Fazenda e construção do Quartel da policia, onde hoje é o comando geral da PM.
Sobre a revolução Pernambuco 1817 e sua relação com emancipação a politica de Alagoas, existem duas teses, os Historiadores Alagoanos defendem que a nossa emancipação foi fruto da autonomia econômica e outra a covardia dos alagoanos, que fugiram da revolução e ficaram fiel  ao governo de D. João VI, os Historiadores Alagoanos São unânimes em afirmar que o aspecto econômico foi determinante na emancipação de alagoas  eles  secundarizam  o movimento da proclamação da republica Pernambucana de 6 de março de 1817, uns são contraditórios, falam em “fidelidade da aristocracia Alagoana” a coroa Portuguesa, e que “traição que deu certo” Nos livros sobre de história de alagoas eles defendem essas teses: História da civilização das Alagoas de Jaime da Altavila (...). Tal prosperidade foi certamente que levou  D. João VI a decretar, aos 16 de Setembro de 1817 a sua emancipação, também Isabel Loureiro afirma em seu livro História de Alagoas (... ) a verdade é que alagoas foi emancipada porque já era Comarca desde 1706 e por seu desenvolvimento socioeconômicos e político”  já livro história de Alagoas Álvaro  Queiros  aponta pistas para a tese que a emancipação foi um castigo a Pernambuco a revolução 1817, ele cita  (...) um premio  de Alagoas  pela sua fidelidade á coroa Portuguesa”. , mais defende quer contexto da emancipação tinha 200 engenhos de açúcar, portanto esses fatos conjugados influenciaram a emancipação política.
No livro Raízes de Alagoas, escrito por Divaldo Suruagy e Ruben Wanderley os autores relacionam a tese quer o alvará de 16 de setembro de 1817 tinha o objetivo de  enfraquecer Pernambuco, mais ainda ressaltam a tese econômica, na afirmação (...)  A comarca de Alagoas, criada em 1706 , já apresentava, em 1730 uma renda superior á capitania  da Paraíba”; Jair Barbosa na pagina 18 , com  o titulo” a traição que deu certo.", aponta a emancipação foi fruto de uma traição da aristocracia alagoana no livro História de Alagoas dos Caetés aos Marajás.Já segundo o historiador no livro revolução  pernambucana as tropas do Marechal Cogominho de Lacerda, essas tropas atravessaram o rio São Francisco com o apoio dos proprietários Alagoanos, mancharam para o norte, em direção ao Recife, para reprimir a revolta.

Em relação ao argumento que a prosperidade econômica da comarca de Alagoas  Moreno Brandão , afirma na Pág. 71 do livro de História de Alagoas  ” muitos outros vilares começaram a se expandir e, não se podia constatar assombroso progresso...”
Ressalto que pelos fatos que levaram à separação do território Pernambuco a parte sul o fator principal foi Revolução Pernambucana, Já que o rio grande do norte também foi separado do território da capitania de Pernambuco nesse mesmo contexto e depois juntamente o Ceará e Paraíba, que também se tornaram autônomo ainda no período colonial, em 1799; Não o argumento do desenvolvimento econômico da comarca, negado por Moreno Brandão.

Professor de História  : André Cabral


domingo, 31 de agosto de 2014

O Governo de Muniz Falcão e o Impeachment


Afrânio Lages era um legítimo representante das oligarquias alagoanas e candidato de Arnon de Mello, que no ano anterior, no auge de sua popularidade, chegou a declarar que elegeria até um poste.    A campanha foi bastante disputada. Muniz Falcão era atacado como o forasteiro. Contra Afrânio Lages pesava a sombra de fascista, dado ao seu passado de integralista. O resultado da eleição chegou a ser surpreendente e confirmou as fortes raízes do populismo, especialmente na capital, onde Muniz venceu com o dobro de votos.  Líder carismático, como delegado do trabalho destacou--se por posições a arrojada no cumprimento de suas funções. Por outro lado, sua vitória nunca seria bem aceita pela elite local. Liderada por Arnon de Mello e Rui Palmeira, a UDN, principal força de oposição, mobilizou-se para combater o governo populista de Muniz, que, inicialmente, se viu diante do desafio de sanear as finanças públicas e adequar à máquina administrativa à realidade. Arnon havia deixado de herança uma pesada dívida. Algumas de suas ações administrativas e sua postura personalista, própria dos populistas, serviram para aumentar à ira das oligarquias alagoanas que procuraram sabotar seu governo.

Dois episódios são estrategicamente trabalhados nesse sentido:
O primeiro deles foi, em outubro de 56, a proposição de um projeto de lei que instituía:
A Taxa Pró-Economia, Educação e Saúde. Através dessa lei, que incidia sobre amplos segmentos da classe empresarial, o governo visava aumentar a arrecadação e ampliar os investimentos nas áreas sociais.
O segundo episódio foi o assassinato do deputado arapiraquense de oposição Marques da Silva, em 7 de fevereiro de 57. O crime, cuja ocorrência já havia sido anunciada cinco meses antes pela própria vítima, teve como principal suspeito o também deputado estadual Claudenor Lima, aliado do governo.
   O crime de Marques da Silva criou um clima de comoção, repercutiu nacional e internacionalmente, e serviu como pretexto para o pedido de impeachment do governador,  Feito pelo deputado Oséas Cardoso e relatado por Teotônio Vilela, ambos os deputados pela conservadora UDN. O processo se desenvolveu em tempo ímpar, apesar da ocorrência de diversas manifestações populares em todo o Estado contrários ao impeachment.

O Impeachment


Na tarde de 13 de setembro de 1957, a história política de Alagoas viveu o seMárcio Moreira Alves, enviado para cobrir a sessão, feridos a bala. O deputado Humberto Mendes, sogro do governador, morto com um tiro nas costas. O impeachment de Muniz Falcão não pode ser encerrado a fatores locais, mesmo que tenha sido noticiado lá fora como apenas mais um ato da selvageria política de Alagoas.
u mais sangrento episódio. A sessão de votação do impeachment do governador Muniz transformou-se num tiroteio de cerca de 40 minutos. Estima¬-se que Cerca de mil tiros foram disparados. O saldo trágico: quatro deputados, um funcionário da Assembleia Legislativa e o jornalista carioca,
Os acontecimentos daquela tarde sangrenta atenderam a interesses de forças políticas em disputa pelo controle político do Estado e do País. Além disso, incorporou fielmente elementos da Guerra Fria. O discurso anticomunista fez parte da tática golpista desde o primeiro momento. O ocorrido repercutiu mundialmente.
    Muniz Falcão recorreu da decisão do impeachment e em 24 de janeiro de 58 reassumiu ovacionado o governo. No segundo período do seu governo, Muniz adotou uma postura político-ideológica diferente, ampliando suas bases de apoio no meio do pequeno e do médio empresariado, fortalecendo alianças com caciques políticos nos municípios e fazendo concessões no sentido de garantir uma base parlamentar sólida.
Entre as realizações de seu período destacam-se:
·         A elaboração do Plano Diretor do Desenvolvimento de Alagoas e do primeiro Plano de            Eletrificação do Estado.
·          A criação da Companhia Energética de Alagoas (CEAL) .
·          Departamento Estadual de Educação e Cultura.
   Seu governo foi contemporâneo do surto desenvolvimentista de JK. Nesse período, ganhou corpo à exploração de petróleo em Alagoas pela Petrobrás, empresa da qual foi um defensor.
A divisão na base de apoio do governo possibilitou a vitória do major Luiz de Souza Cavalcante, candidato do PL e apoiado pela UDN, que indicou Teotônio Vilela para vice. Dado o caráter conservador de seu governo, Luiz Cavalcante (1961-1966), foi um dos primeiros a declarar apoio ao golpe militar e, junto com usineiros, fazendeiros e comerciantes, organizou um grupo aramado, com cerca de 10.000 homens, para dar sustentação ao movimento golpista. Em seu governo foi criado o Banco da Produção (Produban) e o Instituto de Pensão e Aposentadoria dos Servidores do Estado de Alagoas (IPASEAL).

Nas eleições de 1965, apesar das pressões exercidas pelos militares e pelas oligarquias alagoanas, Muniz Falcão foi o mais votado para governador. Conforme as regras impostas pelos ditadores, o resultado da eleição deveria obter o referendo da Assembleia Legislativa. A eleição de Muniz não recebeu a confirmação dos deputados: foi um impeachment branco. Esta foi à última disputa na vida do líder populista, que faleceu no ano seguinte

Na tarde de 13 de setembro de 1957, a história política de Alagoas viveu o seu mais sangrento episódio. A sessão de votação do impeachment do governador Muniz transformou-se num tiroteio de cerca de 40 minutos.


Redemocratização: 1945 a 1964 O Governo de Arnon de Mello

A política desastrosa do governo Silvestre Péricles favoreceu a oposição na eleição de Arnon de Mello para governador, em 1950,num pleito marcado por tensões e mortes.

Essa eleição representou o fim de um ciclo na política alagoana: o domínio dos Góes Monteiro. Mas a vitória de Arnon não foi o fato de maior repercussão nas eleições daquele ano em Alagoas. A vitória do médico Ezequias da Rocha sobre o poderoso general Pedro Aurélio de Góes Monteiro na disputa da vaga para o Senado foi comentada em todo o País. O fato entrou para a história como uma das maiores surpresas da vida política alagoana e como uma brilhante demonstração da força do voto e como expressão da vontade popular.
Entretanto, o desgaste de Silvestre Péricles não impediu que o PST elegesse uma maioria parlamentar. Ari Pitombo e Muniz Falcão foram eleitos deputados federais e assumiram a liderança do populismo no Estado
.

Nas eleições de 50, Arnon foi eleito com uma mensagem de paz, salvacionista e modernizante. Vaidoso, centralizador e personalista, logo entraram em contradição.




Em 51, ao comprar o jornal Gazeta de Alagoas, tentou calar a oposição, que perseguia mandando prender jornalistas e acabar com comícios. Nascia um império de comunicação.
Em seu governo ocorreu:
•             À pavimentação da rodovia Maceió - Palmeira dos Índios.
•             A implantação do serviço de esgoto de Maceió.
•             A Cooperativa Agrícola Pindorama. 

Redemocratização: 1945 a 1964 e Governo de Silvestre Péricles

Os anos 50 foram especialmente intensos em Alagoas.

A vitória de Silvestre Péricles com sua plataforma populista foi um sinal do anseio por mudanças dos alagoanos. O momento histórico exigia um esforço de- inserção do Estado no movimento                   desenvolvimentismo em moda no Brasil desde os anos 30. Com atenção, vamos observar que este apelo popu­lar vai se verificar outras vezes na recente história de Alagoas.
Que era predominan­temente rural. A urbanização avançava rapidamente. Os benefícios sociais eram poucos. Apenas 3,86 por cento dos domicílios tinham Água encanada e só 9,58 por cento energia elétrica.

A economia conti­nuava assentada no plantio da cana e na produção do açúcar. A cultura do fumo adquiria força. A migração para o eixo Rio-São Paulo era um fenôme­no crescente.

O governo Silvestre Péricles foi marcado pela prepotência e pela intolerância.

Muitos foram os conflitos envolvendo o governador e a oposição. Os deputados comunistas eram duramente perseguidos e chegaram a ser arbitrariamente presos e mantidos incomunicáveis por ordem do governador.
 O Tribunal de Justiça considerou a prisão ilegal. Esse fato desencadeou uma série de retaliações sobre o Poder Judiciário, que, alegando falta de segurança, suspendeu suas atividades por um período. A imprensa também sofreu a ira de Silvestre. O jorna­lista Donizete Calheiros foi seqüestrado e torturado por suas atividades no jornal de oposição Diário do Povo.

Entre as realizações da administração de Silvestre Péricles
Destacam-se:

·          Instalação da Rádio Difusora de Alagoas.
·           A criação do Corpo de Bombeiros

·          O serviço de água encanada da capital

O ESTADO NOVO EM ALAGOAS


Em 37, com a instalação do Estado Novo, a Câmara, o Senado e as assembleias estaduais 'foram fechadas. Na primeira etapa da década de 30, o governo procurou moldar o movimento sindical. Sindicatos e federações foram criados sob o manto do governo. As greves, porém, acontecem com independência. Entre as reivindicações da época destacam-se a luta pela garantia da jor­nada de oito horas de trabalho, por melhores condições de trabalho e por melhores salários. O setor têxtil era a principal força mobilizadora. Em Fernão Velho e Rio Largo localizavam-se os principais focos da justa rebeldia operária.

Na segunda etapa, a repressão promovida pela ditadura de Vargas aos movimentos sociais foi intensa, especialmente ao movimento sindical e aos comunistas. Nesse período, aconteceram prisões e até deportações de Alagoanos

Ismar de Góes Monteiro (1941-1945) substituiu Osman Loureiro. Em sua gestão combate a violência e a impunidade.

Outra tarefa importante foi a de implementar a fiscalização das leis trabalhistas. Para as duas graves tarefas trouxe assessores de outros Estados. Ari Boto Pitombo, delegado do Distrito Federal, assumiu a Secretaria do Interior e Justiça. Muniz Falcão, funcionário do Ministério do Trabalho, foi indicado delegado do Trabalho.
Na queda de Getúlio, Ismar é substituído por Edgar de Góis Monteiro na interventoria, que fica por um ano. O jurista Antônio Guedes de Miranda o substituiu.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

As mudanças dos padroeiros de Maceió de São Gonçalo a nossa senhora dos prazeres



O engenho Maceió tinha sua localização no sopé do planalto da jacutinga, (hoje ladeira da catedral) na configuração da sociedade colonial portuguesa no Brasil, existia a divisão social representada pela casa grande, o engenho, senzala e a capela, representada pela religiosidade portuguesa a religião católica, cujo padroeiro era na época são Gonçalo Amarante.
Em 1761 Proprietário do engenho Maçaió, O capitão Apolinário Fernandes Padilha fez a doação de um terreno para construção da capelinha hoje atual catedral metropolitana de Maceió no ano seguinte, a capela tinha devoção de Nossa Senhora dos Prazeres, segundo a Historiadora Isabel Loureiro em seu livro História de Alagoas “os devotos de são Gonçalo dirigiam ao seu padroeiro ,com hinos e louvores e também faziam homenagens a padroeira nossa Senhora dos Prazeres”
O que motivou a mudança do padroeiro são Gonçalo para nossa senhora dos Prazeres  segundo a lenda, o capitão Apolinário Fernandes Padilha, estava roçando milho na ladeira acima da capela quando avistou um navio quase naufragando, rogou  a nossa Senhora dos Prazeres, para que o navio chegasse  a salvo ao porto de Jaraguá; 
Conseguida a graça, O capitão Apolinário comprou  a imagem de Portugal, porem a imagem da santa não coube  no alta lateral  da capela ,então colocaram no alta central  e a imagem do padroeiro são Gonçalo foi para lateral.
As poucos o padroeiro são Gonçalo vai diminuído sua influencia religiosa, as festas em homenagem ao santo era feita em apenas uma vez por ano, na época do engenho Maçaió,      Já a nossa senhora dos Prazeres havia invocações e festas durante todo o ano, hoje a padroeira de Maceió é nossa Senhora dos Prazeres  que é comemorado no dia 27 de agosto segundo os preceitos da Igreja Católica Romana.           

PROF: André Cabral.



segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Alagoas: Capitania hereditária é a razão de seu atraso e miséria // IREMAR MARINHO

As causas da miséria secular de Alagoas passam ao largo das preocupações e propostas de compromissos dos candidatos melhor avaliados nas pesquisas eleitorais para governador: Benedito de Lira e Renan Filho. Quando muito, se pronunciam sobre a violência que
atormenta a sociedade, prometendo paliativos que sequer arranham o que seria necessário para proporcionar tranqüilidade à população e perspectivas para o crescimento humano.
Esses candidatos são bons pais, maridos, irmãos e amigos, mas nenhum deles morre de amores pela população alagoana ao ponto de ousar o compromisso de romper com a forma de governar o Estado, contando para isto com o mesmo teor de omissões nas promessas de atuação dos candidatos aos cargos parlamentares, nos níveis estadual e federal, com as raras exceções de praxe.
Lastimavelmente, tem sido assim, durante todo o período republicano, com os cargos políticos e os mandos passando de pai para filho, como se o Estado fosse uma capitania hereditária, vivendo-se ainda no tempo do Brasil colônia. Está nessa distorção política, que faz de Alagoas um feudo de famílias, uma das principais causas do nosso atraso e da nossa miséria.
Uma melhora considerável de padrão de vida se verifica em parte da população alagoana vitimada pela miséria, como conseqüência de políticas sociais adotadas pelo governo federal. É evidente que parte desse benefício é devolução do que o Estado contribui em impostos para o bolo da União. Entretanto, o que se reivindica é que Alagoas passe a andar com suas próprias pernas, deixando de depender do socorro externo, quando reúne condições de se re-arrumar no rumo à autonomia, como fizeram outros Estados da região Nordeste.
A razão do feudo político alagoano é a monocultura da cana-de-açúcar, que gera ao mesmo tempo a concentração de rendas nas mãos de poucas famílias, a fragilidade social e a sustentação da estrutura de poder, em todos os níveis. Nenhum desses candidatos, produzidos e atrelados a essa estrutura econômica está interessado em mudar as regras do jogo, contanto que a população continue dócil e servindo como massa de manobra para manter a aparência de democracia.
Espera-se o tempo em que a sociedade alagoana seja conscientizada dessa sua fragilidade econômica e social e chame para trabalhar suas melhores inteligências, na tarefa de mudar a estrutura econômica e a prática política medieval. Precisamos reunir condições para que o historiador gaúcho Décio Freitas, que estudou com afinco a sociedade alagoana, seja desmentido em seu pressuposto de que aqui predomina a oligarquia imortal, que já foi enterrada na maioria dos Estados do Nordeste.


quinta-feira, 31 de julho de 2014

Demolição de prédio histórico causa polêmica em Porto Calvo

A demolição de parte das ruínas do histórico prédio onde funcionava a antiga cadeia pública de Porto Calvo causou polêmica na cidade. O que restava do imóvel de largas paredes, que pertence ao governo do Estado, só não foi ao chão por completo, na manhã de quarta-feira (30), porque o chefe de Operações Policiais, José Cláudio, e o delegado Rubens Cerqueira impediram a ação.
Segundo o delegado, os funcionários da Secretaria Municipal de Infraestrutura usaram o nome do promotor de Justiça, Sérgio Simões, para dar legitimidade à ação demolitória. Com uma máquina retroescavadeira e uma caçamba, eles iniciaram a operação por volta das 9 horas.
“Disseram que a ordem partiu do promotor. No mesmo instante, liguei para ele, que negou. Então, determinei que o chefe de Operações fosse ao local e impedisse a demolição”, explicou Rubens Cerqueira, em entrevista ao jornal Gazeta de Alagoas, edição desta quinta-feira.
O delegado confirmou que o prédio histórico pertence ao patrimônio do Estado e que vai comunicar o caso à Direção Geral da Polícia Civil. Ele determinou, ainda, que funcionários da Secretaria de Infraestrutura recolhessem a pesada grade de ferro do antigo xadrez, removida durante a demolição. Cerqueira deseja que a peça seja guardada na delegacia para evitar que seja furtada.
Abandono
O imóvel da antiga cadeia pública está abandonado há quase 15 anos. Os serviços da delegacia foram transferidos para uma casa alugada e depois para o prédio onde funcionava a Câmara de Vereadores, atual endereço.
Ouvido pela reportagem, o promotor negou ter autorizado a demolição. Ele informou que vai encaminhar ofício ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) solicitando informações sobre o imóvel.
“Trata-se de um prédio antigo. Dizem até que é do período da ocupação holandesa. As paredes são grossas e as grades de ferro pesadíssimas. Quero saber do Iphan se o imóvel é de interesse público. Na minha avaliação, a demolição foi absurda”, considerou Simões.
Essa não foi a primeira tentativa de demolição do prédio histórico, localizado na Travessa Paulino Silva. Em 2006, logo após a desativação da delegacia, moradores daquela área iniciaram a derrubada do imóvel, a golpes de marreta. O telhado fora arrancado. Restaram as paredes e as robustas grades de ferro.
Os moradores alegavam que o prédio abandonado servia de criadouro de insetos e roedores, além de abrigo para usuários de drogas. Caçadores de tesouros aproveitaram a oportunidade e fizeram escavações no local, em busca de relíquias da época do Brasil colônia. A prefeitura acionou o Iphan, que impediu a destruição. Havia, inclusive, um projeto do município para restaurá-lo, o que acabou não acontecendo.
Na atualidade, os moradores do entorno continuam com a mesma opinião: são favoráveis à demolição. “A gente quer que derrube mesmo. Isso só junta o que não presta: é rato, é barata, escorpião”, reagiu a aposentada Maria José, 70 anos. “Quando a gente vem da igreja, à noite, fica com medo, porque aqui é muito esquisito. Vai ser bom se demolir”, acredita a dona de casa Gerlane Francisca dos Santos, 34.
Versão
Parte do prédio já havia sido demolida em 2006 pelos moradores
Parte do prédio já havia sido demolida em 2006 pelos próprios moradores
Esta manhã, a reportagem tentou ouvir representantes do Iphan, mas as ligações telefônicas feitas para sede do órgão não foram atendidas. Já o secretário de Infraestrutura de Porto Calvo, Alexandre Scala, negou que os funcionários da prefeitura tenham demolido parte da estrutura.
Segundo ele, o que houve foi apenas uma limpeza da área para evitar a proliferação de vetores de doenças. Scala informou, ainda, que na próxima segunda-feira vai se reunir com o promotor de Justiça para discutir a situação do imóvel. Pretende também avaliar a possibilidade de tombá-lo por meio do Iphan. As ações de limpeza, de acordo com ele, foram suspensas.
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