quinta-feira, 31 de julho de 2014

Demolição de prédio histórico causa polêmica em Porto Calvo

A demolição de parte das ruínas do histórico prédio onde funcionava a antiga cadeia pública de Porto Calvo causou polêmica na cidade. O que restava do imóvel de largas paredes, que pertence ao governo do Estado, só não foi ao chão por completo, na manhã de quarta-feira (30), porque o chefe de Operações Policiais, José Cláudio, e o delegado Rubens Cerqueira impediram a ação.
Segundo o delegado, os funcionários da Secretaria Municipal de Infraestrutura usaram o nome do promotor de Justiça, Sérgio Simões, para dar legitimidade à ação demolitória. Com uma máquina retroescavadeira e uma caçamba, eles iniciaram a operação por volta das 9 horas.
“Disseram que a ordem partiu do promotor. No mesmo instante, liguei para ele, que negou. Então, determinei que o chefe de Operações fosse ao local e impedisse a demolição”, explicou Rubens Cerqueira, em entrevista ao jornal Gazeta de Alagoas, edição desta quinta-feira.
O delegado confirmou que o prédio histórico pertence ao patrimônio do Estado e que vai comunicar o caso à Direção Geral da Polícia Civil. Ele determinou, ainda, que funcionários da Secretaria de Infraestrutura recolhessem a pesada grade de ferro do antigo xadrez, removida durante a demolição. Cerqueira deseja que a peça seja guardada na delegacia para evitar que seja furtada.
Abandono
O imóvel da antiga cadeia pública está abandonado há quase 15 anos. Os serviços da delegacia foram transferidos para uma casa alugada e depois para o prédio onde funcionava a Câmara de Vereadores, atual endereço.
Ouvido pela reportagem, o promotor negou ter autorizado a demolição. Ele informou que vai encaminhar ofício ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) solicitando informações sobre o imóvel.
“Trata-se de um prédio antigo. Dizem até que é do período da ocupação holandesa. As paredes são grossas e as grades de ferro pesadíssimas. Quero saber do Iphan se o imóvel é de interesse público. Na minha avaliação, a demolição foi absurda”, considerou Simões.
Essa não foi a primeira tentativa de demolição do prédio histórico, localizado na Travessa Paulino Silva. Em 2006, logo após a desativação da delegacia, moradores daquela área iniciaram a derrubada do imóvel, a golpes de marreta. O telhado fora arrancado. Restaram as paredes e as robustas grades de ferro.
Os moradores alegavam que o prédio abandonado servia de criadouro de insetos e roedores, além de abrigo para usuários de drogas. Caçadores de tesouros aproveitaram a oportunidade e fizeram escavações no local, em busca de relíquias da época do Brasil colônia. A prefeitura acionou o Iphan, que impediu a destruição. Havia, inclusive, um projeto do município para restaurá-lo, o que acabou não acontecendo.
Na atualidade, os moradores do entorno continuam com a mesma opinião: são favoráveis à demolição. “A gente quer que derrube mesmo. Isso só junta o que não presta: é rato, é barata, escorpião”, reagiu a aposentada Maria José, 70 anos. “Quando a gente vem da igreja, à noite, fica com medo, porque aqui é muito esquisito. Vai ser bom se demolir”, acredita a dona de casa Gerlane Francisca dos Santos, 34.
Versão
Parte do prédio já havia sido demolida em 2006 pelos moradores
Parte do prédio já havia sido demolida em 2006 pelos próprios moradores
Esta manhã, a reportagem tentou ouvir representantes do Iphan, mas as ligações telefônicas feitas para sede do órgão não foram atendidas. Já o secretário de Infraestrutura de Porto Calvo, Alexandre Scala, negou que os funcionários da prefeitura tenham demolido parte da estrutura.
Segundo ele, o que houve foi apenas uma limpeza da área para evitar a proliferação de vetores de doenças. Scala informou, ainda, que na próxima segunda-feira vai se reunir com o promotor de Justiça para discutir a situação do imóvel. Pretende também avaliar a possibilidade de tombá-lo por meio do Iphan. As ações de limpeza, de acordo com ele, foram suspensas.
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