sexta-feira, 4 de julho de 2014

Os Governos : Batista Acioli e Fernandes Lima



O fim da era dos Malta é erroneamente considerado como o fim das oligarquias em Alagoas. Não é verdade.

 Há uma continuidade do sistema, com as peculiaridades da nova época. Com Fernandes Lima consolidam- se as bases de uma nova estrutura oligárquica. Os proprietários do norte açucareiro alcançam a hegemonia do sistema.

O fenômeno oligárquico é complexo. Sai o caudilho de Mata Grande, entra o caudi­lho do Passo. Não esqueçamos que, na oposição, Fernandes Lima combateu, sem tréguas, o mecanismo da reeleição e, ao chegar ao Governo, passou a' fazer aquilo que combatia nos Malta. Quando a conjuntura econômica favorável cessa e a questão social aflora nos anos seguintes a I Guerra, vamos ter o endurecimento do regime, reprimindo duramente as greves dos operários do porto em Jaraguá, reprimida pelo secretário Castro Azevedo numa aliança incrível com o arquiinimigo Euclides Malta, para combater o espantalho socialista que começa a aterrorizar o bem comportado mundo da belle époque.

O sucessor de Clodoaldo da Fonseca é Batista Acioli, já que o vice anterior estava impedido legalmente de inscrever sua candidatura, apesar de infrutíferos esforços de seus amigos que não aceitavam a proibição. Batista foi lançado pelo grupo situacionista enfrentando uma candidatura rival, mas sua vitória foi questionada.

 Acioli. Após muita contro­vérsia, viu parar a questão nas barras dos tribunais, chegando a ter Alagoas uma esdrúxula dualidade de poder. Batista confirmou sua eleição e enfrentou um período difícil, governando de 1915 a 1918, com atra­so no pagamento do funcionalismo, escassez de recur­sos e outros problemas, sobretudo os de abastecimento decorrente da eclosão da grande guerra na Europa.

·         A sua gestão assinala a construção do grupo Escolar Diegues Júnior, na Pajuçara.
·         A construção de uma estrada de rodagem ligando à atual Marechal Deodoro a São Miguel dos Campos.
·         Era o prenúncio da era rodoviária que seria deflagrada por Fernandes Lima que também influenciaria no projeto Rumo aos Campos, invertendo a política de priorizar a capital.

Batista, sisudo proprietário de terras de Maragogi, onde tinha engenho, deixou uma imagem de gover­nante austero e zelador do equilíbrio fiscal, apesar de todos os problemas que enfrentou. Cioso de suas prerrogativas, não quis dar mostra de vassalagem e fraqueza ao líder camaragibano, inegavelmente a grande força política desde o episódio de 1912, chegando a uma posição de atrito constante: com o mesmo e a um rompimento que gerou séria crise.





Fernandes Lima Foi eleito em 1918, sucedendo Batista Acioli e foi reeleito em 1924. Coisa rara no mundo político de hoje, durante a vigência de sua vida pública sempre exerceu o mecenato e procurou prestigiar a intelectualidade da terra. Alagoas se fazia representar nos princi­pais eventos culturais do país. Publicou livros como Terra das Alagoas, docu­mentário editado em Milão. Ordenava a comemoração das grandes datas nas escolas. Maceió se engalanava para celebrar fatos como a assinatura do Tratado de Versalhes O aterro de Jaraguá tornou-se palco dessas festas, passando a chamar-se, por conta da celebração do fim da guerra, Avenida da Paz. Incentivou vocações artísticas, prestigiou as artes e concedeu bolsas de estudo para aperfeiçoamento nas artes plásticas.

Escolhia nomes como Moreira e Silva para representar Alagoas nos Congressos Brasileiros de Geografia, com a missão de defender nossos limi­tes territoriais. Prestigiou a Academia Alagoana e Letras, fundada em sua gestão, e o Instituto Histórico e Geográfico.
Como tinha veleidade literária, nunca esqueceu as instituições culturais. O prédio atual do Instituto Histórico foi obtido em sua gestão, mesmo sendo ini­ciada a sua aquisição no período de seu grande adversário Euclides Malta.

Com seus dois sucessores na República Velha, era jornalista, com presença per­manente nas colunas da imprensa. Ressalve-se que essa relação não implicava necessariamente, em rela­ções amistosas com as empresas jornalísticas. Procurava recrutar seu quadro de assessores no efer­vescente mundo cultural de então. Vários deputados, senadores e dirigentes públicos por ele apoiados eram integrantes das instituições culturais como Jorge de Lima, Povina Cavalcanti e Demócrito Gracindo que foram trazidos para o parlamento estadual pelas mãos de Femandes Lima. Foi revolucionário no senti­do de governar para o interior. Rumo aos Campos era o slogan de seu governo e se mostrava como a priori­dade de sua administração. Foi o iniciador do ciclo rodoviário em Alagoas, resolvendo o problema de ligação entre a capital e os municípios litorâneos do interior. Favorecido pela conjuntura econômica do Estado ampliou fortemente as fontes de receita do Erário. Reabilitou a vida econômica do Estado e admi­nistrou, no primeiro governo, uma era de razoável prosperidade. Construiu várias escolas, dotando-as em prédios confortáveis. Em 1924 foi substituído por outro jornalista de temperamento tão forte quanto ele, o pilarense Costa Rego.




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