domingo, 22 de setembro de 2013

Prefeitura prioriza orla enquanto Jaraguá está aos escombros

As belas praias, os coqueirais, as avenidas largas, os restaurantes e bares que acolhem turistas e nativos. Com todos os seus encantos, a orla de Maceió enfeitiça a maioria dos alagoanos e por isso mesmo tem sido a “menina dos olhos” de todos os prefeitos da capital – ao menos nos últimos 30 anos.
Com Rui Palmeira não será diferente que decidiu nomear um gestor para cuidar caprichosamente da orla. A novidade foi anunciada pelo prefeito, nesta sexta-feira, 20, em reunião com representantes da ABIH-AL – associação que reúne os donos de hotéis da capital.“O gestor será meus olhos na orla da cidade. A prefeitura também vai colocar na orla uma equipe de Assistência Social e de fiscais da SMCCU para junto ao gestor encontrar soluções e sanar os problemas”, disse o prefeito.A iniciativa do prefeito é boa.  Melhor seria, claro, que também fossem nomeados “gestores” para outros locais não menos importantes para os moradores da cidade e para os turistas do que a orla.
É o caso do Centro e Jaraguá, locais que deveriam ser tão importantes para o turismo quanto as praias, embora nem a prefeitura nem os donos de hotéis enxerguem isso.
Mesmo contra lógica, o turismo de Maceió continua vivendo quase que exclusivamente das nossas praias. Que o digam os artesãos da praça Sinimbu e do Mercado do Artesanato.
Um bairro à beira do “tombamento”

O caso de Jaraguá é emblemático. Na era Kátia Born /Ronaldo Lessa o bairro era ponto de encontro artístico e cultural, reunia artistas, boêmios e virou um importante centro empresarial.Tombado pelo patrimônio histórico, o bairro hoje está fora da rota da gestão municipal e vive hoje sobe a ameaça do “tombamento” como diz um amigo que trabalha na região: “corre o risco de uma parece tombar na cabeça da gente”.Não bastasse a recente transferência da sede da prefeitura, que funcionava em Jaraguá, para a Pajuçara, o bairro histórico tem alguns casarões ameaçando desabar na Sá e Albuquerque, as calçadas estão esburacadas e tem sido “invadido” por moradores de rua, flanelinhas e dependentes químicos.
A Associação Comercial de Maceió, cujo prédio simboliza a imponência de Jaraguá, silencia inexplicavelmente diante do abandono do bairro .A defesa vem diretores de entidades que funcionam no bairro – é o caso da Asplana (Associação dos Plantadores de Cana)  e Coplan (Cooperativa dos Plantadores de Cana) lamentam a mudança da prefeitura do local.
“Vamos nos movimentar e pedir que o prefeito olhe por este bairro. Do jeito que está, corremos risco de um acidento com desabamento de um prédio ou de sermos abordados, como é comum, por marginais. É preciso que se olhe para Jaraguá”, defende o presidente da Asplana, Lourenço Lopes.Orla de Maceió vai ganhar gestor Os empresários do setor hoteleiro aprovam, é claro, a iniciativa da prefeitura. Eu também aprovo, claro, até porque moro na Pajuçara. Mas o fato é que acredito que existem outras prioridades.


Edivaldo Júnior
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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O 16 de Setembro de 1817 não foi uma farsa

Em 1817, a capitania de Pernambuco tinha a economia mais importante do país. Com a decretação do fim do monopólio português sobre o comércio, a chamada abertura dos portos de 1808, o grande desenvolvimento do algodão pernambucano unia os interesses dos mercadores da capitania aos interesses dos ingleses, em detrimento dos comerciantes de Lisboa. Como a Corte lusitana estava no Rio de Janeiro desde 1808, o conflito entre Pernambuco e a Coroa portuguesa por mais autonomia transformou-se na luta entre Recife e o Rio de Janeiro pela liderança política no processo de Independência da nação brasileira.
Como o Rio defendia uma Independência pelo caminho de uma monarquia constitucional, Recife só poderia defender uma Independência por uma via diferente e mais de acordo com seus interesses regionais, daí sua tendência ao republicanismo, mesmo que não fosse um republicanismo radical, democrático e contrário à escravidão africana.
O nativismo na região de Recife sempre foi muito forte desde a época da expulsão dos holandeses, ou seja, os recifenses sempre estiveram dispostos a defender os direitos locais contra autoridades portuguesas que os quisessem ignorar. É esse nativismo que vai levar parte da elite pernambucana a propor, em 1817, um movimento político armado pela a autonomia da capitania em relação às Cortes de Lisboa e ao Rio de Janeiro. A dita Revolução Pernambucana de 1817 não apelou à população como um todo, consistiu mais um movimento das elites políticas, militares e comerciais em defesa dos seus direitos e privilégios. Propunha que apenas os proprietários rurais e os grandes comerciantes pudessem votar e tratou de esclarecer em alto e bom som que não defendia a abolição da escravatura.
Na comarca das Alagoas, as notícias sobre o movimento recifense chegaram por meio de José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima, conhecido como Padre Roma, representante autorizado do governo revolucionário. O sacerdote passou três dias distribuindo panfletos e documentos entre os militares e partiu para sublevar a capitania da Bahia, onde foi preso e executado. As diferenças entre os interesses econômicos da comarca de Alagoas e os da cidade de Recife, bem como a improvisação e a falta de consistência ideológica que ficavam patentes no movimento, fizeram com que as propostas trazidas pelo Padre Roma não convencessem a maior parte das elites locais e do povo alagoano (na época se dizia “alagoense”) a lutarem contra as poderosas forças do Rei. Mesmo assim, houve adesão de algumas lideranças locais significativas e mesmo de cidades, como foi o caso de Penedo, que nem sempre foi “mui leal” ao Rei. Vitorino Borges da Fonseca, de alta patente militar, e Manuel Vieira Dantas, influente senhor de engenho e pai do futuro Visconde de Sinimbu, aderiram ao movimento, foram derrotados e tiveram que fugir da comarca.
O Conde dos Arcos remeteu tropas legalistas por Penedo, Maceió e Porto de Pedras. O ouvidor Antonio Ferreira Batalha, maior autoridade da comarca das Alagoas, liderou a reação contra o movimento, atuando principalmente por meio da concentração de tropas e do desmembramento da comarca das Alagoas da capitania de Pernambuco e de sua anexação à capitania da Bahia. Segundo o historiador alagoano Craveiro Costa, aquele desmembramento foi mais importante para garantir o apoio da elite alagoana do que qualquer uma das medidas bélicas.  A elite vislumbrou a possibilidade de aproveitar a oportunidade para emancipar-se da subordinação economica e política a Recife.
Como o porto recifense tinha o monopólio legal da exportação, o açúcar e o algodão produzidos no sul de Alagoas e nas cidades dos atuais Agreste e Sertão da comarca tinham seus custos acrescidos por grandes despesas de transporte, diminuindo muito a renda das elites locais, com repercussões negativas para a massa da população. Até vilas algodoeiras de Pernambuco, como Garanhuns, localizavam-se muito mais próximas de Maceió do que de Recife, mas seus produtores se obrigavam a transportar em lombo de burros os fardos de algodão mais 50 km. O algodão produzido no Rio são Francisco tinha que percorrer todo o litoral alagoano e metade do litoral pernambucano para ser embarcado.
A emancipação política das Alagoas, comarca que passou a capitania em 16 de setembro de 1817 e, em 1821, tornou-se província, foi resultado da diferenciação secular entre o sul e o resto de Pernambuco. Alagoas desde o início foi uma região na periferia do centro recifense, constituiu-se como luso-brasileira num momento distinto e teve bifurcações históricas específicas, sendo a alternativa proposta pelo Quilombo dos Palmares a mais importante, pois retardou o enraizamento da sociedade escravocrata e exportadora luso-brasileira no melhor século para o açúcar, dando-lhe especificidades geográficas, econômicas, culturais e políticas.
O Rei pode ter antecipado a emancipação das Alagoas para enfraquecer politicamente Pernambuco, mas isso não garantiria a existência autônoma da nova capitania se não viesse ao encontro dos interesses dos alagoanos e representasse uma efetiva diferenciação. O que se comprovaria em 1824, quando a província de Pernambuco propôs novamente a união das províncias do Norte numa entidade política independente e as elites econômicas e políticas alagoanas novamente emprestaram seus recursos e território para que as tropas do Rei derrotassem a Confederação do Equador. Alagoas não foi uma dádiva do monarca, foi e é uma construção dos alagoanos.

Golbery Lessa

domingo, 15 de setembro de 2013

Revolução Pernambucana de 6 de março de 1817, As teses sobre a emancipação política de Alagoas 16 de setembro 1817.

A chamada revolução pernambucana na verdade foi uma insurreição dos pernambucanos contra os pesados impostos e descontentamento do monopólio comercial dos portugueses, no Brasil controlavam todo o comercio que era proibido para os Pernambucanos comercializara na capitania, atraídos pelas ideias iluministas setor da sociedade como Lojas Maçônicas, Seminário de Olinda padres como João Ribeiro e Miguelinho organizaram o movimento de sedição; Nesse contexto se deu a chegada da Família Real portuguesa para o Brasil em 1808 com a ocupação de Portugal pelos franceses, para cobrir os custos da corte no Brasil foram aumentados os impostos provocando revoltas da sociedade pernambucana da aristocracia rural até as camadas populares, gerando um clima de uma rebelião em Pernambuco. 
Sabendo da conspiração, o Governador Caetano Pinto de Miranda, prendeu os conspiradores. O major José de Barros Lima o Leão coroado resistiu e matou o oficial português que foi prendê-lo, a Cidade de Recife foi dominada pelos rebeldes, que constituíram um governo revolucionário a República Pernambucana. As primeiras medidas foram acabar com todos os títulos de nobreza e aumento do soldo militar foi ainda enviado para as províncias do norte e nordeste revolucionários para propagar as ideias da revolução, entre os revolucionários o que mais se destacam, diácono José Mariano de Alencar, Padre Roma; que no dia 29 de março de 1817, o Conde dos Arcos, representando os Bragança, mandou fuzilar o maçom Padre Roma – José Ignácio de Abreu e Lima, no Campo da Pólvora, em Salvador.
Na Província de Alagoas (parte sul de Pernambuco), em são Miguel dos campos parte da aristocracia participou do movimento, o senhor de engenho Manoel Vieira Dantas e sua esposa Ana Lins defenderam as Ideias da revolução pernambucana de 1817 e o comandante das armas de Alagoas Victorino Borges, influenciados pela propaganda do Padre Roma quando passou por Alagoas do Sul; a repressão em alagoas foi organizada pelo Ouvidor Batalha da cidade de Atalaia fiel a coroa, desmembrou Pernambuco, anexando a Bahia e criou um governo provisório até a restauração de Pernambuco, tiveram a participação das tropas vindas da Bahia para reprimir a Revolta. A reação das tropas portuguesas foi radical, atacaram Pernambuco por terra e também por mar cercando o porto de Recife com uma grande esquadra, levando a capitulação dos revolucionários. Os que não morreram em combate, foram fuzilados.
 Sobre a revolução Pernambuco 1817 e sua relação com emancipação a politica de Alagoas, existem duas teses, os Historiadores Alagoanos defendem que a nossa emancipação foi fruto da autonomia econômica e outra a covardia dos alagoanos, que fugiram da revolução e ficaram fiel  ao governo de D. João VI, os Historiadores Alagoanos São unânimes em afirmar que o aspecto econômico foi determinante na emancipação de alagoas  eles  secundarizam  o movimento da proclamação da republica Pernambucana de 6 de março de 1817, uns são contraditórios, falam em “fidelidade da aristocracia Alagoana” a coroa Portuguesa, e que “traição que deu certo”
Nos livros sobre de história de alagoas eles defendem essas teses: História da civilização das Alagoas de Jaime da Altavila (... ) Tal prosperidade foi certamente que levou  D. João VI a decretar , aos 16 de Setembro de 1817 a sua emancipação, também Isabel Loureiro afirma em seu livro História de Alagoas (... ) a verdade é que alagoas foi emancipada porque já era Comarca desde 1706 e por seu desenvolvimento socioeconômicos e político”   já livro história de Alagoas Álvaro  Queiros  aponta pistas para a tese que a emancipação foi um castigo a Pernambuco a revolução 1817, ele cita  (...) um premio  de Alagoas  pela sua fidelidade á coroa Portuguesa”. , mais defende quer contexto da emancipação tinha 200 engenhos de açúcar, portanto esses fatos conjugados influenciaram a emancipação política. No livro Raízes de Alagoas, escrito por Divaldo Suruagy e Ruben Wanderley os autores relacionam  a tese quer o alvará de 16 de setembro de 1817 tinha o objetivo de  enfraquecer Pernambuco, mais ainda ressaltam a tese econômica, na afirmação (...)A comarca de Alagoas, criada em 1706 , já apresentava, em 1730 uma renda superior á capitania  da Paraíba”; Jair Barbosa na pagina 18 , com  o titulo” a traição que deu certo.", aponta a emancipação foi fruto de uma traição da aristocracia alagoana no livro História de Alagoas dos Caetés aos Marajás.
Com o Alvará de D. João assinou (...) sou ser­vido isentá-la absolutamente da sujeição, em que agora esteve do governo da Capitania de Pernambuco, erigindo-a em capitania, com um governo independente que a reja na forma praticada nas mais capitanias independentes”. Nomeou o coronel Sebastião Francisco de Mello Póvoas o primeiro governador, que chegou no dia 27 de dezembro de 1817, desborcou no porto de Jaraguá; suas primeiras medidas instalação da junta administração, Arrecadação da real Fazenda e construção do Quartel da policia, onde hoje é o comando geral da PM.