terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Osman Loureiro foi nomea­do interventor


 Alagoas, mudar par quê?

           Ainda em 34, Osman Loureiro foi nomea­do interventor. Mesmo sendo genro de Edgar de Góes Monteiro e bem aceito pelos setores tradicionais, dada a sua rela­ção com o mundo do açúcar, sua nomea­ção não contou com o apoio do poderoso general Góes Monteiro, que temia pelo envolvimento direto de sua família na política alagoana. A indicação de indicação de Osman Loureiro foi feita por Getúlio e seu papel era o de conciliar a aristocra­cia alagoana. As eleições de 34 puseram fim à acomodação inicial. A manobra de coalizão com, os decaídos desagradou os afonsistas. Silvestre Péricles, um dos Góes Monteiro e também militar. Foi o porta-voz dos descontentes. Em torno de Silvestre aglutinaram-se os desafetos de diferentes origens, destacando-se Fernandes Lima e Baltazar de Mendonça.
      As eleições de 34 tiveram caráter de constituinte. Os conservadores foram os grandes vencedores. Apesar disso, as forças democráticas saíram fortale­cidas. Silvestre Péricles e seu populismo de direita se afirmaram como alternativa ao blocão conserva­dor. A Ação Integralista Brasileira, movimento autoritário, nacionalista e anticomunista, apoiado por segmentos do clero alagoano da época, ele­geu Emílio de Maia deputado federal. As eleições de Lily Lages, jovem médica de origem aristocrática e de Rodrigues Meio, intelectual negro, filho de escravos, para o parlamento estadual, são fatos que merecem destaque.
Em 1935, às vésperas da eleição que escolhe­ria por via indireta o governador constitucional de Alagoas, os ânimos se exaltaram e a violência foi inevitável. Em 7 de março, um conflito no Hotel Bela Vista deixou vários feridos fatalmente, entre eles o deputado Rodolfo Lins. Osman Loureiro, conforme o esperado foi eleito governador pela Assembleia Constituinte. Entre as realizações da fase de Osman Loureiro destacam-se: a fundação do primeiro posto de saúde pública de Maceió, a construção do Hospital de Tuberculose (Sanatório) e a inauguração do Cais do Porto, em Jaraguá.
No livro Episódios da História de Alagoas, o professor Álvaro Queiroz nos faz um relato bastan­te esclarecedor sobre a realidade alagoana da época:
 
margem das disputas políticas das elites oli­gárquicas, a classe operária e o povo empobrecido e sofrido continuavam a sua luta histórica pela sobrevivência. Os ferroviários alagoanos que traba­lhavam na Great Western realizaram uma paralisa­ção geral, em novembro de 1935. A greve, que teve caráter específico, visava basicamente melho­rias salariais, pois a empresa inglesa negava-se intransigentemente a aumentar os salários de seus servidores. A greve recebeu o apoio de outros seto­res da classe operária e teve um desfecho favorável aos trabalhadores.
Ademais, os indicadores sociais do estado de Alagoas, neste período eram os piores possíveis. Em municípios como Atalaia, Murici e União dos Palmares, apenas dez por cento das famílias comiam frutas e verduras, e apenas cinco por cento bebiam leite. Mais de 80 por cento da população eram analfabetos. “Em Murici havia 300 casas fechadas, pois as famílias haviam embarcado para São Paulo, no sonho quimérico de melhores dias” (QUEI­ROZ, 1 999: 1 03).
     Em 37, com a instalação do Estado Novo, a Câmara, o Senado e as assembleias estaduais 'foram fechadas. Na primeira etapa da década de 30, o governo procurou moldar o movimento sindical. Sindicatos e federações foram criados sob o manto do governo. As greves, porém, acontecem com independência. Entre as reivindicações da época destacam-se a luta pela garantia da jor­nada de oito horas de trabalho, por melhores condições de trabalho e por melhores salários. O setor têxtil era a principal força mobilizadora. Em Fernão Velho e Rio Largo localizavam-se os principais focos da justa rebeldia operária. Na segunda etapa, a repressão promovida pela ditadura de Vargas aos movimentos sociais foi intensa, especialmente ao movimento sindical e aos comu­nistas. Nesse período, aconteceram prisões e até deportações de Ala­goanos
Ismar de Góes Monteiro (1941-1945) substituiu Osman Loureiro. Em sua ges­tão combate a vio­lência e a impunida­de. Outra tarefa importante foi a de implementar a fis­calização das leis trabalhistas. Para as duas graves tarefas trouxe assessores de outros Estados. Ari Boto Pitombo, delegado do Distrito Federal, assumiu a Secretaria do Interior e Justiça. Muniz Falcão, fun­cionário do Ministério do Trabalho, foi indicado delegado do Trabalho. Na queda de Getulio, Ismar é substituído por Edgar de Góis Monteiro na interventoria, que fica por um ano. O jurista Antônio Guedes de Miranda o substituiu.

Prof.. Luciano Cavalcante.

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