domingo, 5 de março de 2017

As características da arquitetura colonial de Santa Maria Madalena da lagoa do sul (atual Marechal)


Casa: eira e beira -Foto:Cabral
Notamos na atual cidade de Marechal Deodoro aspectos do Período colonial Quer foi marcado pela rigidez métrica. Elementos como esquadrias se refletiam nos pavimentos paralelamente conforme iam ascendendo, temos a arquitetura era símbolo de poder econômico, como a eira e a beira. A expressão “sem eira nem beira”, que significa sem recursos, na miséria, vem de elementos de edificações coloniais, as casas das pessoas mais importantes e ricas tinham as duas estruturas – eira e beira – no acabamento do telhado, Construções comércio embaixo e em cima a residência e Utilização de construções verticais no caso as Igrejas Católicas.



Em relação à cidade que era chamada de Lagoa do sul as ordens religiosas Católicas Apostólicas Romanas Fundaram igrejas e conventos; 1660 os Franciscanos liderados por Frei Pedro de São Paulo fundaram a edificação que se transformou Igreja conventual de Santa Maria Madalena  que foi terminada 1793.
Convento do Carmo; foto Cabral


A Igreja de N.S Do Amparo construída sobre a liderança do Vigário Veríssimo Rodrigues Rangel em 1757 e concluída em 1860 da Irmandade de nossa  senhora do Amparo(Homens Pardos ); A Irmandade do rosário (Homens pretos), Construíram a Igreja N.S do Rosário em 1834 e a Igreja Matriz de N.S da Conceição construída pelo Português  João  Esteves  na qual foi destruída pelos Holandeses.

Casa com  porta partidas: Foto Cabral
Casa com  porta partidas: Foto Cabral
Conjunto  de Casas térreas com eiras e beiras e porta partidas
casa: comércio embaixo e em cima a residência - Foto Cabral
casas: comércio embaixo e em cima a residência - Foto Cabral

Santa Maria Madalena da Lagoa do Sul (Sumaúma), seu Aspecto Político.

Foto Cabral-Cidade de Marechal Deodoro
A Historia da atual cidade de Marechal Deodoro, que tinha o nome sesmaria de Madalena da Sumaúma, se estendia territorialmente pelas margens da lagoa Mundaú e seus canais, tem sua formação econômica relacionada à produção da cana de Açúcar (Engenhos), na qual o escoamento da produção se dava pelo porto do Francês.
Assim como a Historia da vila Santa Maria Madalena da Lagoa do Sul não esta relacionada com proclamação da republica, já que o proclamador Marechal Deodoro só nasceu na cidade de Alagoas, atual Marechal Deodoro, em Alagoas, no dia 5 de agosto de 1827 e estudou em escola militar desde os 16 anos no Rio de Janeiro, historia da cidade está relacionada com as Invasões Holandesas e a chegada das ordens religiosas que fundaram conventos e inúmeras Igrejas. Segundo Sebastião Heleno no livro (Marechal Deodoro A primeira capital de Alagoas),a vila de Santa Maria Madalena da Lagoa do Sul foi fundada Por Duarte Coelho em 12 de Abril 1636.

Já Ernani Mero cita em seu livro: (Santa Maria Madalena) “A vila foi Palco das atrocidades praticadas pelos holandeses Esses invasores a 20 de outubro 1632 atacaram porto de Pedras, em seguida rumando para  Camaragibe, porto do Francês, chegando  à Santa Maria Madalena. Incendiaram casas, não  Poupando a primitiva Matriz de Nossa Senhora da conceição na cidade vila”

Patio do convento Franciscano: foto Cabral
Do ponto de vista da nossa formação territorial ( parte sul de Pernambuco),já possuía Porto Calvo ao Norte, Lagoa do sul ou Madalena da lagoa do sul ao centro e Penedo no sul, realizada por expedições comadas por Duarte Coelho por volta de1545,que dividiu o território em Sesmarias para os respectivos donatários,  Cristóvão Lins (atual Porto Calvo), Diogo Soares  ( atual Marechal Deodoro) e  Jeronimo de Albuquerque (atual Penedo).
Em 8 de Março de 1823 se transforma em sede  da Capital da província , com o processo da Emancipação política de Alagoas e a Chegada do primeiro  Governador de Alagoas o 


  Historiador Jaime de Altavila  Afirma”:
Pode-se dizer a capital das Alagoas passou ser em Maceió desde o dia em quer primeiro  governador, Francisco de Melo Povoas , quando saltou no Porto de Jaraguá aos 27 de dezembro 1818.”


  Crise politica entre os Alagoanos e Maceioenses

Antigo Palácio Provincial ,onde Agostinho de Silva ficou cativo.
A partir desse contexto vai provocar uma crise politica entre os Alagoanos e Maceioenses em relação à sede da Capitania e posição Política adotada por Melo Povoas em transferir a sede da Capitania para Maceió (Porto de Jaraguá), crise politica exacerbar-se quando da vinda do segundo governador Agostinho da silva Neves, defendia quer a vila de Maceió teria melhores condições para servir de capital e resolveu transferir  o cofre do tesouro para a vila de Maceió em 27 de outubro 1839.
Aristocracia rural Alagoana não aceita a tal medida adotada por Agostinho de Silva lidera a revolta, José Tavares Bastos e o Pai de Deodoro, Mendes da Fonseca quer mantém  o governador cativo na sede do Governo no Palácio provincial e  Tavares Bastos tomou a posse por dois dias o governo.
Na Vila de Maceió membro Aristocrata de Maceió, João veira chagas, vice-presidente, declara a vila de Maceió sede provisória do Governo, resgatar Agostinho de Alagoas do sul, que parte do Porto do Francês bordo de um ( navio) para vila de Maceió. Em 2 de dezembro as tropas legalistas entram na Lagoa do Sul ocupam Lagoa do sul, em 9 de dezembro de 1839 a capital das Alagoas passa para Maceió.
Casa de Marechal Deodoro da Fonseca: foto Cabral

quarta-feira, 1 de março de 2017

Aqui Maceió começou a ser capital

O bairro de Jaraguá é a própria história de Maceió. Naquele pequeno trecho encravado entre o mar, o Poço e o Centro da cidade, surgiram os primeiros surtos de desenvolvimento da então vila, que cresceu tanto e superou a capital da Capitania, a então cidade de Alagoas, atual Marechal Deodoro, provocando a luta da transferência da capital para Maceió, onde já residia o governador e sediava as principais partições publicas. Esse desenvolvimento do bairro deve-se ao seu porto, que transformou o local num imenso comercio com negócios de todos os rumos.   Esse desenvolvimento do bairro deve-se ao seu porto, que transformou o local num imenso comercio com negócios de todos os rumos.
Mas Jaraguá surgiu antes mesmo da povoação de Maceió, originada de um engenho de açúcar de propriedade do coronel Apolinário Fernandes Padilha, no local onde hoje é a Praça Dom Pedro II. Aldeia de pescadores foi logo chamando a atenção de quem passava pelo caminho, margeando o mar.
  Quando da chegada do primeiro governador da Alagoas, Sebastião Francisco de Melo e Povoas, desembarcando no porto de Jaraguá, a fama do arrebalde aumentou, projetando-se um lugar de futuro promissor. Naquela época (1818), já existiam algumas casas e a igreja de Nossa Senhora Mãe do Povo, construída pelo português Antonio Martins. Depois foram chegando novos investidores, que se instalaram no novo bairro: José Gomes de Amorim e seus irmãos Joaquim e Antonio, que previam o rápido crescimento do lugar.
   Na verdade, graças à proximidade do ancoradouro, Jaraguá se tornou aos poucos um centro comercial de grande importância, sendo ocupados por bonitos sobrados, a partir da segunda metade do século passado. A arquitetura da época foi sendo aos poucos modificada. Mas o projeto de revitalização, que será executado pela prefeitura, retornará o esplendor do século XIX. 
Receita Federal é um exemplo de preservação
 Quando era delegado da Receita Federal em Alagoas, o paraibano Vicente Madruga conseguiu conscientizar a direção daquele órgão a realizar os trabalhos de restauração do imponente prédio, que vinha se deteriorando com o passar do tempo. Conseguiu. Tudo foi restaurado obedecendo o projeto original, mas colocando alguns toques de modernidade, sem que tirasse o padrão arquitetônico. A fachada permaneceu quando de construção, assim como as salas, a parte externa que se volta para o mar e alguns móveis antigos, que foram restaurados.
   A delegacia da Receita Federal emoldura o conjunto arquitetônico da antiga rua Alfândega (atual Sá e Albuquerque). Se os visinhos tivessem sido preservados, o projeto de revitalização do bairro teria um custo bem menor. Ao seu lado, foi derrubado um casarão, para a construção para a moderna construção do Bradesco. Em frente, a sede da Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana) também é uma arquitetura moderna.    A visão cultural de Vicente Madruga bem que poderia ter sido seguida por muitos dos empresários que possuem prédios no bairro. Poucos mantêm seus sobrados intactos. Os escritórios das usinas Leão, Sinimbu e Santo Antônio estão intactos. Mas a maioria dos velhos sobrados ou foi derrubada ou teve suas fachadas descaracterizadas.

Bairro é tomado pelo comércio
 Até a primeira metade do atual século, o comercio era atacadista e varejista. Jaraguá disputava com o Centro a preferência dos consumidores. Detinha grandes lojas de tecidos, chapéus, sapatarias, farmácias e outros estabelecimentos comerciais. Mas o seu forte mesmo sempre foi a parte atacadista, por ser um bairro portuário. Ainda existiam muitas residências, ocupadas, principalmente, por comerciantes, bancários funcionários públicos. O Banco do Brasil e o Banco de Londres, entre outros, mantinham agencias naquele bairro, para atender a grande clientela. Hoje, ainda existem agencias do próprio Banco do Brasil, além do Bradesco e Produban.
  Moradores de vários bairros da cidade de bonde até o Jaraguá para fazer as compras. Depois, o local foi sendo ocupado casas de prostituição, e os consumidores “fugiram”, optando mesmo pelo Centro com mais lojas de todos os ramos do comércio.
A Igreja Nossa Senhora Mãe do Povo, que durante muito tempo era bastante freqüentada pela comunidade católica do bairro, passou alguns anos fechada por falta de fiéis, deteriorando-se. Mas recentemente, com ajuda da comunidade (mínima) e de outro católicos, ressurgiu, restaurou-se, e já recebe muitos freqüentadores.  As antigas ruas residenciais são tomadas por casas de comércio, escritórios de prestação de serviços, consultórios médicos e outras atividades produtivas. Ruas como Uruguai, Silvério Jorge, Minas Gerais, Praça Rayol e outras detêm poucos moradores. E a tendência é esse comércio se ampliar mais ainda com o projeto de revitalização, principalmente no que se refere ao ramo de lazer e cultura.

Saudosistas lembram a “zona”
   O taxista José Antonio de Souza, morador do Poço, é daquele que não esquece as noitadas na “zona” de Jaraguá. Como morava próximo, frequentava as varias boates e bares do bairro, que detinha toda a zona do baixo meretrício da cidade, atendendo aos Maceioenses, visitantes de outras cidades, e, principalmente, aos marinheiros. Tinha boates para ricos e para pobres. A dos pobres ficava no chamado “Duque de Caxias”, enquanto a Tabariz (Mossoró) e outras famosas ocupavam os sobrados da antiga rua da Alfândega (Sá e Albuquerque). José Antonio trabalhava como comerciário no Centro, e nas noites de sábado frequentava a zona do Duque de Caxias. Cada “zona” tinha um bar, com música e os quartos para a hora de sexo. Sem banheiro, cada quarto dispunha de uma bacia com água e uma toalha. O pagamento era feito logo depois do “serviço” feito. A prostituta ficava com uma pequena parte e dava o restante ao dono da zona. Nas boates mais luxuosas, os frequentadores gostavam mais, porém tinham à disposição bonitas mulheres, cheirosas e bem vestidas, que consumiam bebidas mais caras e garantiam um quarto com todo luxo. Nos fins de semana, fervilhava de gente por todos os lados do bairro. “Filhinhos de papai” desfilavam com seus carros nos anos 50 e 60 pelas ruas de Jaraguá, estacionavam na porta das boates e passavam suas noitadas ao som de boleros, tuiwts e das músicas da Jovem Guarda. Tinha aqueles que conseguiam uma prostituta exclusiva. Surgiam constantes confusões, quando ela atendia a outros clientes. Mas a policia estava sempre por perto, para amenizar a briga.

    A transferência da “zona” de Jaraguá para o Tabuleiro do Martins recebeu o protesto dos boêmios, que reclamavam da distancia. O bairro portuário foi perdendo seu movimento e entrou em decadência. Ressurge agora com a perspectiva de se torna o mais novo ponto turístico, com a instalação de bares, restaurantes, galerias de arte, cinema e outras atrações.

Publicado em O JORNAL, Maceió, domingo,  20 de outubro de 1996.
Este texto é original como  publicado na época 


                                                                                 http://www.bairrosdemaceio.net

A oligarquia Maltina

Encerrado o ciclo militarista republicano, as oligarquias estaduais ascendem o poder. Em Alagoas, após o hiato tempestuoso de deposições, no governo de Manoel Duarte, sob o influxo dos acontecimentos nacionais, estabelece-se um novo pacto político As bases agrárias ligadas ao açúcar reassumem a liderança das demais frações senhoriais, mesmo sob a batuta de um astuto político sertanejo, Euclides Malta. Agora, com enorme autonomia em cada Estado, impõe-se um sistema oligárquico por intermédio de um dono pessoal ou da família, de um chefe ou de um grupo fechado. Instalado o sistema, os chefes de cada uma delas agem de pleno acordo com o político idealizado pelo presidente Campos Sales, instrumentalizada pelo Partido Republicano, braço eleitoral que opera pelos chamados Comissões Verificadoras, Marginalizando as camadas populares, derrotando os últimos inconformados monarquistas e os republicanos militaristas, assumem o controle governamental nos Estados às elites agrárias que delimitam a representação político em torno de seus componentes; senadores e deputados federais, congressistas estaduais, conselheiros municipais, juízes, intendentes, governadores e vice. Se for feita uma triagem dos detentores de cargos públicos nesse período, encontrar-se-á predominância dos orgulhosos oficiais da Guarda Nacional e de nomes que se repetem ao longo dos anos: Gusmão, Malta, Vieira, Peixoto, Acióli, Gracindo, Miranda, Tenório, Vasconcelos, Cavalcanti, Araújo, Góes, Rego, Holanda, Mendonça, Rebelo, Wanderley, Leite, Oiticica, Cunha, Rego, Santos Pacheco, Sarmento, Lessa, Palmeira, Arroxelas etc. O liberalismo político, construído por uma sociedade agrária, não superou a ambiguidade de sua formação.
A oligarquia Maltina 
 Dura quase uma década e meia é uma longa era de domínio. Euclides, que compreendeu os homens e a época em que vivia, subiu na política por meio dos indispensáveis laços familiares casarem com uma filha do Barão de Traipu. Foi inicialmente constituinte estadual e federal, atrelando-se à corrente de Traipu. Uma vez eleito, organizou uma bem montada máquina administrativa que o tornou líder máximo do Estado até 191 2, em sucessivas reeleições. Dizia um seu biógrafo que não houve em seu tempo quem polarizasse tanto ódio nem atraísse tanto admiração como esse sertanejo de Mata Grande. Inteligente e sagaz transitou em um meio onde pontificavam coronéis semialfabetizados, as chamadas manjeronas, misturados com bacharéis ladinos, os cravos broncos, que serviam de ornamento da orgulhosa classe que dominava o poder. Em tantos anos de dominação, na denominada era Maltina,
Euclides deitou raízes profundas na política alagoana, ligando a sorte de sua carreira à de inúmeros chefes municipais que tinham como questão de honra a lealdade e a troca de amabilidades. Intransigente nas questões que envolviam a manutenção da ordem e manutenção do poder, não era homem de recuos, mas tinha também seu lado diplomático, harmonizador. Quem esperava novas lutas fratricidas e a repetição dos anos de instabilidade da década anterior, surpreendeu-se com a relativa tranquilidade dos primeiros anos da era Maltina, graças ao controle férreo dos pleitos eleitorais e de atos contemporizadores com adversários, sempre atento a questões vitais.Pacificando o grupo hegemônico da política, a classe agrária açucareira, evitou a polarização entre Penedo e Maceió, entre o radicalismo do sogro e seus ferrenhos opositores, afagou os santuários intelectuais, prestigiando o Instituto Histórico, para quem adquiriu sede própria, ajudou as instituições de beneficência, criou uma imprensa situacionista adquirindo para isto parque gráfico próprio, prestigiou a força policial e manteve o povo sempre afastado, como era costume da época, de qualquer instancia de decisão. Deu estabilidade à oligarquia local.
                                                                                                                                                                   Era um caudilho bem sucedido

 Fez da capital o cartão postal de sua administração Construiu o Teatro Deodoro, o Tribunal de Justiça, a praça que tem o nome de Deodoro, concluiu o Palácio dos Martírios, reformou hospitais, construiu inúmeras praças. Desarticulada, a oposição reagia com agressividade, inicialmente sem ressonância, mas gradativamente com o longo exercício do poder, aumentando seu poder de fogo. E evidente que a política de saneamento econômico implantada na esfera federal teve reflexos na sua gestão. Os problemas sociais permaneciam inalterados. Nem tudo era colorido e feliz naquela era os hábitos refinados e costumes europeus próprios da belle époque tropical. Longe dos salões aristocráticos com seu cortejo de endemias frequentes, tangidos pela seca e sua miséria crônica, a Alagoas real tinha suas dores e seus problemas. A indumentária elegante dos políticos e da elite da sociedade caeté que contrariava os rigores climáticos da terra, fascinada com os padrões progressistas do Velho Mundo, igualmente ignorava o que se passava fora dos bairros nobres e dos salões do poder.
Em dois momentos o doce remanso da era euclidiana foi quebrado. No primeiro, quando da eleição de seu irmão Joaquim Paulo para sucedê-lo, a fim de permitir sua volta em seguida, Foi feita uma reforma constitucional para modificar dispositivos da Carta Magna estadual que continha restrição à permuta fraternal. O Barão de Traipu, que tencionava retomar ao cargo, rompeu com o genro e foi a Encerrado o ciclo militarista republicano, as oligarquias estaduais ascendem o poder. Em Alagoas, após o hiato tempestuoso de deposições, no governo de Manoel Duarte, sob o influxo dos acontecimentos nacionais, estabelece-se um novo pacto político As bases agrárias ligadas ao açúcar reassumem a liderança das demais frações senhoriais, mesmo sob a batuta de um astuto político sertanejo, Euclides Malta. Agora, com enorme autonomia em cada Estado, impõe-se um sistema oligárquico por intermédio de um dono pessoal ou da família, de um chefe ou de um grupo fechado. Instalado o sistema, os chefes de cada uma delas agem de pleno acordo com o político idealizado pelo presidente Campos Sales, instrumentalizada pelo Partido Republicano, braço eleitoral que opera pelos chamados Comissões Verificadoras, Marginalizando as camadas populares, derrotando os últimos inconformados monarquistas e os republicanos militaristas, assumem o controle governamental nos Estados às elites agrárias que delimitam a representação político em torno de seus componentes; senadores e deputados federais, congressistas estaduais, conselheiros municipais, juízes, intendentes, governadores e vice. Se for feita uma triagem dos detentores de cargos públicos nesse período, encontrar-se-á predominância dos orgulhosos oficiais da Guarda Nacional e de nomes que se repetem ao longo dos anos: Gusmão, Malta, Vieira, Peixoto, Acióli, Gracindo, Miranda, Tenório, Vasconcelos, Cavalcanti, Araújo, Góes, Rego, Holanda, Mendonça, Rebelo, Wanderley, Leite, Oiticica, Cunha, Rego, Santos Pacheco, Sarmento, Lessa, Palmeira, Arroxelas etc. O liberalismo político, construído por uma sociedade agrária, não superou a ambiguidade de sua formação.

A oligarquia Maltina que dura quase uma década e meia é uma longa era de domínio. Euclides, que compreendeu os homens e a época em que vivia, subiu na política por meio dos indispensáveis laços familiares casarem com uma filha do Barão de Traipu. Foi inicialmente constituinte estadual e federal, atrelando-se à corrente de Traipu. Uma vez eleito, organizou uma bem montada máquina administrativa que o tornou líder máximo do Estado até 191 2, em sucessivas reeleições. Dizia um seu biógrafo que não houve em seu tempo quem polarizasse tanto ódio nem atraísse tanto admiração como esse sertanejo de Mata Grande. Inteligente e sagaz transitou em um meio onde pontificavam coronéis semialfabetizados, as chamadas manjeronas, misturados com bacharéis ladinos, os cravos broncos, que serviam de ornamento da orgulhosa classe que dominava o poder. Em tantos anos de dominação, na denominada era Maltina,
Euclides deitou raízes profundas na política alagoana, ligando a sorte de sua carreira à de inúmeros chefes municipais que tinham como questão de honra a lealdade e a troca de amabilidades. Intransigente nas questões que envolviam a manutenção da ordem e manutenção do poder, não era homem de recuos, mas tinha também seu lado diplomático, harmonizador.
Quem esperava novas lutas fratricidas e a repetição dos anos de instabilidade da década anterior, surpreendeu-se com a relativa tranquilidade dos primeiros anos da era Maltina, graças ao controle férreo dos pleitos eleitorais e de atos contemporizadores com adversários, sempre atento a questões vitais.
Pacificando o grupo hegemônico da política, a classe agrária açucareira, evitou a polarização entre Penedo e Maceió, entre o radicalismo do sogro e seus ferrenhos opositores, afagou os santuários intelectuais, prestigiando o Instituto Histórico, para quem adquiriu sede própria, ajudou as instituições de beneficência, criou uma imprensa situacionista adquirindo para isto parque gráfico próprio, prestigiou a força policial e manteve o povo sempre afastado, como era costume da época, de qualquer instancia de decisão. Deu estabilidade à oligarquia local.
                                                                                                                                                                   Em dois momentos o doce remanso da era euclidiana foi quebrado. No primeiro, quando da eleição de seu irmão Joaquim Paulo para sucedê-lo, a fim de permitir sua volta em seguida, Foi feita uma reforma constitucional para modificar dispositivos da Carta Magna estadual que continha restrição à permuta fraternal. O Barão de Traipu, que tencionava retomar ao cargo, rompeu com o genro e foi atraído pelos núcleos oposicionistas para liderar uma grande frente. Paulistas, duartistas, besouristas, liderados por Fernandes de Lima, tentaram juntar-se para viabilizar um forte grupo anti-malta. O azedamento das relações entre sogro e genro chegou a níveis delicados. Mas as negociações visando à manutenção da estrutura euclidiana foram bem sucedidas, e o Barão de Traipu, Duarte e Wanderley de Mendonça recompuseram-se com Euclides e a crise foi contornada, ficando de fora apenas o grupo de Fernandes Lima e Gabino Besouro, que continuaram no outro lado.

                                          Tiroteio a 10 de maio de 1906
O outro episódio foi por ocasião da campanha eleitoral, quando houve, em pleno centro de Maceió, cerrado tiroteio a 10 de maio de 1906 entre partidários situacionistas e os defensores da chapa oposicionista Gabino Besouro e Guedes Gondim se enfrentaram, envolvendo polícia, milícias particulares, saindo ferido o comandante da Polícia, coronel Salustiano Sarmento, vários alferes e soldados.
O resultado eleitoral demonstrou o completo' domínio de Euclides Malta, reforçado ainda pela visita do presidente eleito, Afonso Pena, a Maceió, em 24 de maio, com o fim de prestigiá-Io. O pacote eleitoral foi bem arrumado, pacificando-se as hostes do governo e permitindo sucessivas reeleições de Euclides, chefe absoluto do poderoso Partido Republicano, que ungia antecipadamente os eleitorais. A longa era Martina só chegaria ao seu final em 1912 com as modificações que sofreu o quadro político nacional e o próprio desgaste diante de tão longa permanência do poder. A campanha civilista agitou o país inteiro e os ventos soprados com a eleição de Hermes da Fonseca trouxeram as Salvações e a derrocada da política dos governadores, varrendo os grupos políticos estaduais, conquistado no poder há mais de uma década. Traído pelos núcleos oposicionistas para liderar uma grande frente. Paulistas, duartistas, besouristas, liderados por Fernandes de Lima, tentaram juntar-se para viabilizar um forte grupo anti-malta. O azedamento das relações entre sogro e genro chegou a níveis delicados. Mas as negociações visando à manutenção da estrutura euclidiana foram bem sucedidas, e o Barão de Traipu, Duarte e Wanderley de Mendonça recompuseram-se com Euclides e a crise foi contornada, ficando de fora apenas o grupo de Fernandes Lima e Gabino Besouro, que continuaram no outro lado.



O Ciclo do Algodão e as Vilas Operárias dos historiadores Douglas Apratto Tenório e Golbery Luiz Lessa

Apesar de ter sua presença no panorama histórico da economia alagoana relegada a um plano inferior, a cultura do algodão protagonizou um período particularmente importante para o desenvolvimento da região ao possibilitar o início de um expressivo surto de industrialização no estado. Momento histórico marcado em sua etapa inicial pela consolidação de um intenso processo de transição do ambiente social, em meio ao surgimento das fábricas de fiação e tecelagem e suas vilas operárias, a atividade industrial em Alagoas chegou ao seu ápice entre os anos 1930 e 1950.
Nesse meio tempo, o estado não apenas experimentou o gostinho do progresso, mas viu surgir no espaço fabril uma série de transformações importantes que tornou possível a quebra de tabus seculares. Entre os quais, o início de um lento, porém significativo processo de emancipação da mulher em função da expressiva atuação feminina no universo têxtil e o desenvolvimento de uma consciência política entre a classe operária, constituíram avanços que dificilmente encontrariam terreno fértil no ambiente da atividade canavieira.
Para desfazer alguns equívocos históricos e reconstituir a origem e o desenrolar de todo esse processo de transição econômica, política e cultural vivida pela sociedade alagoana na virada do século 19 até a primeira metade do século 20, os historiadores Douglas Apratto e Golbery Lessa se debruçaram sobre o tema, cuja pesquisa resultou no livro O Ciclo do Algodão e as Vilas Operárias, título da Edufal que chega para ajudar a preencher uma lacuna, em meio a obscena escassez bibliográfica sobre o assunto.

“No século 19, plantou-se, em média, tantos hectares de algodão quantos hectares de cana-de-açúcar em Alagoas. Entre 1933 e 1954, período de crise da indústria açucareira e de apogeu da indústria têxtil, a quantidade de hectares de algodão era muito maior do que a quantidade de hectares de cana”, explica o pesquisador Golbery Lessa a nossa reportagem. “Naquele momento histórico, os dois setores produziam o mesmo montante em termos de valor econômico, as fábricas têxteis empregavam o dobro de operários e gastavam, em decorrência, o dobro em salários. Os salários eram maiores e as leis trabalhistas eram muito mais respeitadas numa fábrica têxtil do que numa usina. Em média, uma fábrica de tecidos valia duas usinas de açúcar. A indústria de fiação e tecelagem não foi, portanto, um apêndice, algo menor e episódico, foi uma alternativa de desenvolvimento efetiva e mais progressista do que a indústria canavieira”, argumenta ele.
“O momento histórico no qual a indústria têxtil conviveu com a indústria açucareira continha uma das mais importantes bifurcações da história alagoana”, afirma Golbery. “Tratava-se de uma luta entre duas vias bem diferentes de desenvolvimento. A vitória da via açucareira, a partir dos anos 1960, fez com que os usineiros ficassem desobrigados de partilhar o poder político com outros setores empresariais. A máquina pública passou a priorizar, exclusivamente, as condições gerais de acumulação do setor açucareiro, em detrimento da própria complexificação do capitalismo, com impactos negativos para toda população.”



Em entrevista concedida à Gazeta, os historiadores falam sobre o livro – cujo lançamento está programado para a próxima quinta-feira, dia 12, às 19h, na Associação Comercial de Maceió –, e esclarecem tópicos importantes relativos a esse tema pouco lembrado, mas que porém nos ajuda a entender a realidade atual. É o que você lê a seguir.
Gazeta. O livro O Ciclo do Algodão e as Vilas Operárias se propõe a promover um resgate da memória do período áureo das indústrias têxteis em Alagoas. Qual a razão do interesse dos autores pelo tema? Quais foram as maiores motivações para o trabalho?
Douglas Apratto. Desde cedo aprendi que o estudo da história é mais que um exercício de ociosidade. Ele tem usos mais benéficos, pode proporcionar uma memória, por exemplo. Amplia os horizontes intelectuais e convoca testemunhas do passado para educar e construir as novas gerações. Vivi minha infância e juventude em uma cidade do interior, São Miguel dos Campos, que tinha duas usinas, Caeté e Sinimbu e duas indústrias têxteis, Vera Cruz e Sebastião Ferreira. Conheci de perto o mundo canavieiro e o mundo fabril. Os dois espaços eram bem distintos. O fabril, mais dinâmico, participativo, popular, vibrante. Sempre me intrigou o esquecimento do segundo, em contraposição ao fastígio, permanência e preeminência do mundo açucareiro. Não se pode calar a História.
Golbery Lessa. Evidentemente, o historiador estuda o passado em busca de respostas para as suas inquietações relativas ao presente. A paralisia da complexificação do capitalismo alagoano a partir dos anos 1960 foi e ainda é a principal marca da formação social na qual nasci, cresci e decidi permanecer. Como todo alagoano crítico sabe, o papel do setor canavieiro na miséria estadual contemporânea é o grande enigma a ser desvendado. Percebi que mesmo as abordagens críticas da história do universo açucareiro tendiam a fortalecer o fetichismo que o encobre, pois revigoravam indiretamente a tese de que a produção de açúcar seria uma espécie de entidade metafísica a dominar toda a história de Alagoas. Sem perceber, a esquerda tende a exagerar o poder do latifúndio canavieiro e construir uma apologia indireta dele. Ora, se as usinas são tão absolutamente poderosas, ao ponto de possuírem quase os atributos de Deus (podem tudo, sabem tudo e estão em tudo), elas não serão vencidas por nenhuma força humana e, portanto, a história de Alagoas está fechada, não tem devir. O meu ensaio no livro é uma tentativa de escapar dessa armadilha, é a busca de superar a crítica que termina, contraditoriamente, em apologia. Em essência, procuro denunciar as fragilidades econômicas, morais e políticas do setor canavieiro comparando-o com o setor têxtil.


Fosseis da Era do Gelo


Escavação da obra revelou vestígios de animais

Além de terra, minerais e água, o solo do município de São José da Tapera esconde história. Fósseis de Preguiça Gigante, Mastodonte, Tatu-Gigante, Toxodon e Paleolhama foram descobertos recentemente nas escavações das obras trecho 4 do Canal Adutor do Sertão. Vestígios de vida da Era do Gelo em pleno Sertão alagoano.
No dia 6 de dezembro os últimos fósseis foram retirados da escavação pelo paleontólogo, professor universitário e diretor técnico de Paleontologia do Museu de História Natural da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Jorge Luiz Lopes.
“Foi um achado incrível. Temos dentes, ossos, e tudo foi devidamente preservado e catalogado. Nesta última viagem, foram 12 caixas só para trazer o material para o museu em Maceió”, afirmou.
De acordo com Lopes, o aumento em obras de grande porte, como o Canal do Sertão e duplicações de rodovias, que envolvem relatórios exigidos pelos órgãos ambientais competentes, além da ampliação na pesquisa e extensão de paleontologia, têm favorecido o crescimento de incidência de fósseis no Estado.


Por: NATÁLIA SOUZA DO G1 AL

Sítio arqueológico em Maragogi é interditado

Japaratinga – A Delegacia de Repressão Contra Crimes Ambientais e ao Patrimônio Histórico (Delemaph) da Polícia Federal (PF) em Alagoas instaurou inquérito para apurar a destruição do sítio arqueológico onde foram encontradas moedas do século 19, em Japaratinga, Litoral Norte do Estado. As investigações buscam identificar os autores das escavações e do comércio ilegais das relíquias. Eles serão enquadrados na lei 9.605/98 e podem responder por dano ao patrimônio histórico.
“Não só quem vendeu, mas também quem comprou as moedas pode ser responsabilizado. Por lei, são proibidos o comércio e a escavação sem a devida autorização do Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional]”, alertou o chefe da Divisão Técnica do Iphan em Alagoas, Sandro Gama.
As moedas antigas começaram a ser encontrada na última segunda-feira pelos moradores do Alto da Torre, periferia de Japaratinga. A busca pelo tesouro seguiu durante a semana. Com pás, enxadas e outras ferramentas, eles escavavam o solo na área onde a prefeitura estava instalando uma rede de abastecimento de água. As obras foram suspensas porque 12 metros de canos foram danificados.


Por: SEVERINO CARVALHO - REPÓRTER  http://gazetaweb.globo.com