domingo, 16 de dezembro de 2012

A ORIGEM DE ALAGOAS



Nossa Alagoas Conforme podemos comprovar, a terra em que vivemos hoje, ainda indefinida geográfica e politicamente naque­le imenso território, não só teve a primazia de ser vizinha ao palco desses primeiros contatos com os espanhóis como, logo a seguir, foi um dos pontos a serem percorridos pelas naus lusitanas, chefiadas pelo piloto italiano Américo Vespúcio em 15m·, quando atingiu o rio São Miguel e o rio São Francisco.

A presença de Pedro Álvares Cabral e sua frota em Porto Seguro, Bahia, um ano antes, no dia 22 de abril de 1500 (e que para alguns, sem confirmação oficial, teria sido em solo alagoa­no), representa o próprio atestado de batismo do Brasil, viabilizado pela famosa carta de Caminha, o escrivão da frota ao rei D. Manuel, na qual narra detalhes do famoso episódio. Ali inseríamo-nos definitivamente na admirável engenharia territorial do nosso País e em seus fundamentos sociológicos e humanos.


Porque Alagoas

A denominação Alagoas só viria muito mais tarde, no período de colonização, em decorrência das numerosas lagoas existentes na região, assina­ladas nos mapas primitivos pelos exploradores. Era assim chamada a parte austral da primitiva Capitania de Pernambuco.


A diferente versão alagoana do descobrimento

Contrariando a versão oficial de que o primeiro lugar avistado pela frota de Pedro Álvares Cabral foi o Monte Pascoal, na Bahia, alguns historiadores locais defendem que tal ponto, na verdade, foi o contraforte da serra da Nacéia, em Anadia. Jayme de Altavila, um dos maiores nomes desta corrente, baseia-se no cronista pernambucano Fernandes Gama e no cientista Alexandre Von Humbolt, os quais sustentam que as primeiras terras divisadas pela esquadra da cruz de malta estavam localizadas a 10 graus de latitude sul, e, portanto, na costa comprendida entre Jequiá e Coruripe.

Ainda reforçam a tese com o registro de João de Barros que, em sua obra Décadas da Ásia, dá a entender que as primeiras terras desco­bertas pelos portugueses foram as de Alagoas, e que depois de terem andado um dia ao longo do litoral, tendo sido arrastadas, á noite, pela ação de fortes ventos e de um temporal, foram para o sul, aportando em Porto Seguro, onde desembar­caram

Aparecem águas alagoanas

Jayme de Altavila igualmente serve-se da Carta de Caminha, onde há uma descrição de um reconhecimento feito num local perto de onde aportaram as embarcações, o que refor­çaria a tese que defende: "e então o capitão passou o rio, com todos nós outros, e fomos até uma lagoa grande de água doce, que está junto com a praia, porque toda aquela ribeira do mar é apaulada por cima, e sai à água por minutos lugares". Segundo ele o rio de que trata o escri­vão oficial seria o Coruripe, quanto à lagoa grande seriam então as diversas lagoas, locali­zadas "antes da foz do rio Poxim, adiante do curso d'água mencionado no documento de Caminha e que se reúnem por vários canais, confundindo-se com o citado rio, sendo esta evidentemente uma "região muito pantanosa (apaulada), daí a expressão apaulada por cima, e sai à água por muitos lugares".
Outros registros são também confrontados como a de que "a terra traz ao longo do mar, em algumas partes grandes barreiras, umas ver­melhas e outras brancas" entendendo-se que seriam, segundo os defensores da tese, as barrei­ras de Jequiá. A topografia - dizem - leva a crer que seria a enseada do Pontal de Coruripe, o possível ancoradouro da esquadra cabralina. A situação geográfica, o meio físico, da Baía Cabrália, tem semelhanças com a costa alagoa­na, mas Altavila, mencionando Salvador Pires de Carvalho e Aragão, revela que na região baiana próximo a Porto Seguro "não existe nenhuma lagoa de água doce, existindo sim três pequenas lagoas salgadas, cujas comunicações com o mar só se estabelecem nas marés altas". 

Por: Luciano Cavalcante. 

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