segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O filme Rua das Árvores e a destruição da memória de Maceió


 O historiador inveja as suas fontes orais. O idoso é sério concorrente de quem se arvora a reproduzir em texto um tempo social pretérito. Essas duas ideias se e...mpoleiraram na minha mente quando vi o belo curta-metragem Rua das Árvores, da alagoana Alice Jardim. O filme foca numa casa abandonada da Rua Ladislau Neto (botânico alagoano), mais conhecida na Maceió do presente como Rua das Árvores, e nas memórias de uma moradora. Alice apresenta detalhes da residência, usando vários tipos de enquadramento e luz, enquanto a idosa narra, sem aparecer, suas experiências com a casa, a família, a cidade e a vida. A forma narrativa e seu conteúdo causam profunda catarse no expectador, pois milhares de maceioenses e habitantes de outras urbes do munto têm contido na garganta um grito em defesa da memória social, arquitetônica e urbanística das cidades.

As singularidades do capitalismo e da modernidade na capital alagoana elevaram ao poder, a partir da segunda metade dos anos 1960, uma elite que tem imposto enorme desrespeito aos edifícios e ao desenho urbanístico do passado, maculando, de modo irreversível, a memória urbana de gerações. A memória precisa da materialidade dos lugares, não se conserva e desenvolve apenas a partir de si mesma, como subjetividade pura e isolada do mudo exterior. O espírito precisa do corpo, o camponês anseia pela terra, o cidadão deseja a polis. Em Maceió, há décadas um pai não consegue mostrar ao filho nenhum dos lugares de sua infância e juventude, pois já não existem ou foram completamente descaracterizados. Os suportes arquitetônicos da memória, como praças, edifícios e monumentos, são apenas matéria, não sofrem, mas seu abandono representa o desprezo pela vivência de gerações de seres humanos palpitantes de vida, envoltos em sentimentos e sonhos.

O filme de Alice denuncia sutilmente o abandono dos lugares e a falta de continuidade arquitetônica e urbanística de Maceió nas últimas quatro décadas. Mostra que a arquitetura da cidade não transita, planejadamente, de um estilo mais antigo para um estilo mais contemporâneo. A substituição é feita aleatoriamente e de maneira abrupta, a partir da negação radical do passado. Apenas sobrevive o que é custoso derrubar e pode ser devidamente escondido por fachadas modernosas, como se pode ver nos prédios das lojas do Centro. Este processo é tão generalizado que transforma a cidade num labirinto, pois impede a continuidade dos marcos tomados como pontos de referências espaciais pelos habitantes.

Pelo olhar de Alice, vemos as camadas de tempo e a justaposição de tecnologias domésticas no interior da casa. As janelas fechadas para sempre. Um interruptor do início dos anos 1980. Gambiarras. Ladrilhos de várias épocas. O traço à caneta na parede da cozinha marcando a altura de uma criança.

Dei-nos uma etnografia do cotidiano ou apenas informações detalhadas sobre objetos comuns e poderemos deduzir a indústria, o comércio, a subjetividade coletiva e o poder político. O Capital, de Marx, trás centenas de descrições de fatos cotidianos em suas notas. Uma historiografia da vida comum é uma historiografia da totalidade, desde que se crie um link entre as duas dimensões. A narrativa da moradora, explorada na medida adequada no filme, costura o espólio apresentado e lhe dá sentido. O interior da casa fora montado com objetos importados da Europa. Aquelas paredes foram imersas nos valores morais e estéticos da burguesia. O avô era um rico comerciante e, talvez por isso, não convivia com os netos. A avó, a partir de um recalque surgido da opressão de gênero da qual era vítima, dissera a filha que esta nunca moraria ali quando adulta. A filha herdou a residência e deu continuidade à família debaixo daquele teto.

Este e outros trabalhos de Alice Jardim buscam salvar Maceió do esquecimento e da banalidade. O cotidiano e a imprensa diária apequenam tudo ao nosso redor. Diferente de Recife ou Salvador, Maceió não aparece poética, amada e central na subjetividade dos seus moradores. Só a arte e a ciência são capazes de mostrar uma cidade na sua grandeza humana aos seus próprios habitantes. Pela mão da jovem e sensível cineasta, passamos a ver as singularidades da nossa urbe articuladas com as dimensões universais do fenômeno urbano e, desse modo, superamos, a um só tempo, o bairrismo e a autodepreciação.
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por Golbery Lessa

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O PRIMEIRO GOVERNADOR DE ALAGOAS

O Eficiente Melo e Povoas e o Nativismo Crescente

Quando Sebastião Francisco Meio e Póvoas desembarcou em Jaraguá, dois dias depois do Natal de 1818, para governar a nova Alagoas, devia passar pelo seu espírito como manter o domínio português na área cuidando de controlar o nativismo de 1817. Pelos fatos que se seguiram desde que assumiu o governo em 22 de janeiro seguinte, até sua exoneração em janeiro de 1822, ele tudo fez para isso.
Prognosticava que o domínio português seria ainda por alguns anos, quiçá décadas, porque rea­lizou uma obra administrativa e material de invulgar dimensão, construindo prédios públicos e forti­ficações, organizando unidades militares e a admi­nistração da Província, abrindo estradas, fazendo um plano ambicioso de urbanização de Maceió, mandando construir aqui uma corveta.
Compreendendo o momento histórico, decidiu não residir em Alagoas capital, fixando residência em Maceió onde estava o movimento econômico e maiores perspectivas de realizar sua obra de gover­no.
Apesar de tudo isso, Meio e Póvoas não rever­teu à crescente revolta contra o português entre o povo e os notáveis da terra, situação que chegou ao ponto crítico com o levante de 28 de julho de 1822, sob a liderança de Jerônimo Cavalcante de Albuquerque, à frente de quatrocentos homens armados, fato que se passou depois de seu embar­que de volta.
Aclamou-se então dom Pedro I protetor e perpétuo defensor do Brasil e criou-se uma Junta Governativa que expulsou os portugueses não assi­milados, reorganizou as tropas fiéis ao Imperador e preparou-se para acolher tropas brasileiras na Guerra da Independência, no ano seguinte.

O mata marinheiro teria sido uma injustiça?

Apesar de todos os resultados positivos da administração Meio e Póvoas, crescia na Província o sentimento nativista reprimido em 1817.
Alagoas fora beneficiária da ação enérgica e ao modo lusitano do Ouvidor Batalha, no sentido da fidelidade à Coroa Portuguesa, ganhando, no episódio da Confederação, sua independência de Pernambuco, ao qual era atrelada desde os anos de Duarte Coelho.
Curioso é que, pouco mais adiante, a maioria dos portugueses aclimatou-se com a nova situação e até tomou parte nas manifestações de regozijo popular no Sete de Setembro de 1822, porque o governante, afi­nal, era um patrício. Mas a nova legislação nacional contrariou alguns de seus privilégios e chegaram à pro­víncia notícias das divergências entre políticos brasileiros e D. Pedro I, que foi colocado no centro das controvér­sias até a crise de sua abdicação, gerando os tumultos de 1831 e 1832, dos quais Alagoas participou.
Aí então cresceram as antigas rivalidades da época do nativismo e da repressão de 1817, quando portu­gueses residentes aqui, comerciantes ilustres, oficiais do governo e militares recusaram-se a apoiar a abdicação e foram envolvidos pela fúria popular no que se cha­mou de Mata Marinheiro. Foi à reação incontida pelas autoridades omissas ou coniventes, e seus atos de bar­bárie ficaram para a História de Alagoas como uma página condenável.
Apesar de tanto terem colaborado com o progresso local, os perseguidos tiveram que procurar refúgio nas matas, igrejas e casas de amigos, depois conheceram a execração porque foram expulsos e perderam empregos e fortunas, por medidas sugeridas pela Câmara de Maceió e aprovadas por um governo pro- visório.
Citação de Aminadab Valente em Atalaia, Sua História registra que "em Maceió corre o sangue lusita­no ( ... ), o comércio na sua quase totalidade de portu­gueses, muitos abastados e ricos, ficou paralisado, por­que os negociantes procuravam escapar da multidão desenfreada" .
O português Antônio José Martins morreu de susto ao se refugiar na capela de Nossa Senhora Mãe do Povo que ele mesmo havia construído em Jaraguá. Em Atalaia, nos primeiros dias de maio de 1831, o popu­lacho saqueou e depredou a Rua das Táboas, onde residiam os portugueses, refugiando-se os fugitivos nas matas vizinhas e na Vila do Pilar.

Mas tudo passou e o comércio voltou para os filhos de Portugal e seus descendentes. Ficou registrada, de forma trágica, a revolta contra a dominação dos portu­gueses em Alagoas. 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

HISTÓRIA DE PENEDO-ALAGOAS.

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O HINO DE ALAGOAS

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A presença Francesa em Alagoas


  
Para Ter uma idéia da influência francesa em nossa história local, devemos apenas lembrar que o historiador alagoano Alfredo Brandão "chega a conjecturar, haver sido a cidade de Penedo origi­nada de um entreposto francês do comércio do pau-brasil, naquela região do rio São Francisco", aliado ao fato de existir ainda hoje, sobrevivências culturais da' presença francesa em nosso litoral, como é o exemplo da tão conhecida "Praia do Francês", nas proximidades da atual cidade e município de Marechal Deodoro, há alguns quilô­metros da cidade de Maceió
 Segundo Gabriel Soares de Souza, em seu Tratado Descritivo do Brasil de 1587, nos informa que existiram quatro portos franceses no litoral ala­goano, assim descri minados: 1) Porto Velho dos Franceses - localizado a quatro léguas antes do rio S. Miguel, que é hoje conhecido como "Praia
do Francês": 2) Porto Novo dos Franceses - loca­lizado a duas léguas adiante da foz daquele rio, na barra do rio Jequiá, e finalmente o 3) Porto dos Franceses -' próximo aos Baixios ou arrecifes de Dom Rodrigo próximo à enseada formada pelo rio Coruripe.
   Além dos locais acima citados, os franceses chegavam a penetrar além da desembocadura dos rios e planícies litorâneas, em busca do pau-brasil.
Entretanto o contrabando do pau-brasil, nas costas alagoanas foi realizado até quase meados do século passado - 18 de Novembro de 1840 ­"quando foi apreendido em Coruripe, durante a Presidência de Manuel Felizardo de Souza e Meio, um brigue francês, que já se achava em parte car­regado daquela preciosa madeira. Uma outra embarcação que ali se encontrava em operação de contrabando, conseguiu escapar", segundo nos informa o historiador Moacir Santana.
Apesar da intensidade do contrabando do pau-brasil pelos franceses, a referida apreensão foi à primeira feita, desde quando passamos a condi­ção político-administrativa de Capitania Independente.
O pau-brasil, sendo monopólio do governo português, só poderia efetivar-se através de con­tratos, não trazendo a exploração da referida madeira nenhum lucro para a Capitania e depois província das Alagoas, de onde eram extraídos das matas do Poxim, São Miguel, Sumuáma, Jacuipe e outros locais do território alagoano.

A exploração indiscriminada do pau-brasil levou a quase extinção da espécie vegetal. Até 18750 pau-brasil ainda aparecia na lista dos pro­dutos de exportação de economia brasileira

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Fortalezas Alagoanas



Alagoas na época da ocupação holandesa contava com importantes fortalezas ou praça-fortes: a fortaleza de Porto Calvo e o forte Maurício.A fortaleza de Porto Calvo foi construída em 1634, pelo conde Bagnuolo, em madeira e terra, sob ordem de Matias de Albuquerque. que em 1635 teria sido ocupado pelos holandeses.
Em 1638, por 13 a 20 dias, o conde Bagnuolo teria resistido ao avanço de Maurício de Nassau. Após sucessivas ocupações, expulsões e reocupações, o forte de Porto Calvo foi somente reconquistado pelas tropas luso-espanholas em 1645. Esta praça-de-guerra foi destruída, sem deixar vestígios.
 Maurício de Nassau estendeu seus domínios até o Ceará, além de tentar sem sucesso, reconquistar a cidade de, Salvador. Nassau fez uma excelente administração, construindo palácios, pontes, além de ter promovido realizações de caráter cientifico, artístico e literários, assim como ter possibilitado a ocorrência de certo ambiente de tolerância religiosa e de ter financiado os engenhos de açúcar destruídos ou semi-destruídos durante as guerras de conquista holandesa.  A resistência luso-espanhola e brasileira continua operando, apesar da sua inferioridade numérica e logística (condições materiais).  O conde Bagnuolo - após a morte de Roias y Borja - assumiu o comando das tropas luso-brasileiras, após as derrotas sofridas pelos portugueses e brasileiros, cujas tropas de Bagnoulo refugiaram-se em Alagoas do Norte (Santa Luzia do Norte), porém as tropas de Nassau obrigam-nos a refugiarem-se em Alagoas do Sul (Marechal Deodoro). Entretanto, a perseguição das tropas de Nassau continuou até obrigar o Conde Bagnuolo a refugiar-se em Penedo, e depois atravessar o rio São Francisco e ir refugiar-se em Sergipe, onde organiza em São Cristovão - antiga capital de Sergipe uma campanha de guerrilhas contra os invasores batavos.

Em Penedo, Maurício de Nassau fundaria o Forte Maurício, batizado em sua homenagem com este nome, cujo tinha como objetivo principal resguardar o sistema de defesa ao sul da Capitania de Pernambuco.

 Em 13 de dezembro de 1639, chegava a Alagoas o Governador Geral do Brasil - Conde da Torre - Dom Fernando de Mascarenhas, que obtém informações secretas que objetivavam promover o desembarque de tropas e munições no território alagoano e daqui organizar estratégias de guerrilhas objetivando minar as bases do domínio holandês Porém, os planos do Conde da Torre fracassam m virtude das tropas portuguesas terem sido derrotados por terra e por mar pelas tropas holandesas.
Em 1640, Portugal livra-se do domínio Espanhol, reconquista a sua independência político-administrativa e de suas colônias ultramarinas, que se encontravam sob o domínio espanhol.



A Invasão Holandesa ao Estado de Alagoas



(Entre 1632/3 os holandeses desembarcaram em Barra Grande, agora guiado por Calabar, marchando sobre Porto Calvo, Porto de Pedras, Camaragibe, Porto do Francês, Alagoas do Sul Marechal Deodoro, atual), Alagoas do Norte (Santa Luzia do Norte, atual) e São Miguel dos Campos.
Quando os holandeses passaram Alagoas do Sul, praticamente destruíram a cidade, assim como a sua Igreja Matriz que ficava localizada no povoado de Taperaguá (1633). Os invasores torturaram parte da população local e teriam incendiado cerca de 100 casas.
Quando os holandeses invadiram Alagoas do Sul, parte de seus moradores tranferiram-se para Alagoas do Norte que também teria sofrido o ataques dos holandeses; porém a população já teria montado um bom sistema de defesa e contado com a orientação do capitão de Milícias Antônio Lopez Figueiras, que morreu em combate travado com os holandeses, depois dos mesmos terem desistido temporariamente de ocupar a Vila de Alagoas do Norte

Após assumir o comando das tropas Rojas y Borja enviou para do Norte a artilharia e mandou preparar o caminho para marchar sobre o Calvo, que se achava sob o domínio holandês. Borja reuniu o Conselho dos Oficiais e estabeleceu a estratégia a de ataque para marchar sobre Porto Calvo.
Antes de marchar sobre Porto, passa por Barro Grande (Maragogi), onde se defrontou com os holandeses que agora passam a ser perseguidos pelas tropas de Borja.

Artschofsky vem ao auxílio de Segismund Van Schkoppe, que se encontra com suas tropas estacionadas em Porto Calvo.
Inevitável, aconteceu o combate entre as forças de Borja e Schkoppe, no local denominado de Mata Redonda (Porto d, e Pedras), em 18 de Janeiro de 1636, onde o chefe das tropas luso-espanholas e brasileiras perdeu a vida.
Em março de 1637, Porto Calvo é retomado pelos holandeses, agora chefiados por Maurício de Nassau Siegen, que tinha recentemente chegado do Recife em 23 de janeiro de 1637.
Quando chegou ao Recife, Nassau teve que tomar providencias mais imediatas: 1º )captar a confiança dos. Portugueses e seus descendentes; 2º)captar a confiança dos indios que, por vezes, odiavam. Os portugueses; 3°)destruir os quilombos e conquistar os locais de fornecimento de escravo africanos; 4°)combater os salteadores e reunir o gado e reorganizar a pecuária.

Nassau ainda estimulou o cultivo, não apenas da cana-de-açúcar, mas também de produtos de subsistência - mandioca, o milho e outros produtos tropicais além de incentivar a vinda de cientistas, sábios, historiadores, médicos etc.

Calabar: o controvertido personagem histórico



É correto afirmar-se que a Vila do Recife teria surgido por volta de 1536, porém a invasão holandesa a teria ajudado a se construir no principal centro urbano da época holande­sa, principalmente depois das reformas urbanas, feitas pelos arquitetos trazidos por Maurício de Nassau.
Entretanto, os holandeses conseguiram um importante aliado - Domingos Fernandes Calabar - o qual irá viabilizar aos invasores a conquista do Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas.
Trata-se de um equivoco pensar-se que Calabar teria se passado para o lado dos holandeses, em virtude do mesmo Ter ficado impressionado como o dinamismo e o caráter empreendedor, desenvolvidos durante o período do governo de Maurício de Nassau.
Quando Maurício de Nassau chegou ao Brasil, em 1637, Calabar já havia sido enforcado e esquartejado em 29 de Junho de 1635, por ordens de Matias de Albuquerque.
E conveniente lembrar que a cidade de Porto Calvo, tem em uma das suas superfícies colinosas uma localidade conhecida pelo nome d "Alto de Forca" ou "do Cruzeiro", onde Cala bar teria executado.
Para o historiador Moacir Medeiros de Sant’ana, diante dos documentos hora existentes, argumenta que o ato de Calabar assume uma feição política uma feição moral.
Sob o ponto de vista político o ato de Calabar não constituía - se numa traição, porque trair que? A quem? A que país ou nação? O Brasil naquela época não estava sob domínio de Portugal, mas sim vivendo um momento histórico atípico que a união Ibérica (1580/1640); pois o Brasil era luso - espanhol.
Sob o ponto de vista moral, o ato de pode ser encarado como traição em virtude do mesmo Ter traído os seus irmãos de carne, encaminhado os holandeses para atacarem e sumariamente parte ou totalidade de uma população de uma determinada vila, engenho, povoado ou cidade etc.
Em 1631 o território alagoano começou a se ferir a luta.
Em 1632 o território alagoano começou a figurar como palco de futuras ações bélicas, quando Bragnuolo fez desembarcar em Barra Grande (Maragogi) 700 homens de guerra, sob o comando de D. Antônio Oquendo, com destino ao arraial de Bom Jesus.
A passagem de Cala bar para o lado dos holandeses desequilibraria as forças militares envolvidas no conflito, que agora tornavam - se mais favoráveis para o lado dos holandeses, que contavam com um ótimo conhecedor da região, não apenas do ponto de vista geográfico, mas acima de tudo bélico - estratégico. .
Com base nesta vantagem, os holandeses atacaram com êxito Igarassu, cujo sucesso levou - os a atacarem o Arraial de Bom Jesus, sem, contudo

Obterem nenhum sucesso, culminando em si na morte do comandante das tropas holandesas Rembach.

Diante de tal insucesso, Calabar sugeriu aos holandeses que desviassem a Companhia para Alagoas, onde ele era grande conhecedor da região.

Por Luciano Cavalcante/ Prof de História.

Arquivo Público de Alagoas comemora 50 anos


A história de Alagoas pode ser contada de várias maneiras, mas é no Arquivo Público de Alagoas (APA) – com seus livros, fotografias, jornais, revistas e documentos – que se pode realizar uma verdadeira viagem no tempo. Neste dia 30, o APA comemora 50 anos de uma existência marcada pela preservação do saber e da evolução do povo alagoano.
Através de suas seções, o APA, proporciona um passeio ao longo de ao menos quatro séculos, desde a época em que o estado ainda era uma comarca, e depois província, até a atualidade. Além de possuir o maior acervo de origem administrativa referente ao Poder Executivo de Alagoas, abriga o projeto “Memórias Reveladas”, que permite à sociedade o acesso a fontes antes sigilosas, de um período sombrio da história do país, a Ditadura Militar.
“Os 50 anos do Arquivo Público de Alagoas não representam com exatidão a importância que ele tem, o acervo que a instituição abriga remonta o século XVIII, quando o estado ainda nem era uma província. O importante neste momento é dar visibilidade a esse manancial de documentos, é convocar os pesquisadores, os estudantes e a sociedade em geral para conhecer a história de Alagoas através do APA”, afirma Marcos Vasconcelos Filho, diretor ao Arquivo Público de Alagoas.
A instituição está ligada diretamente ao Gabinete Civil do Estado desde o ano de 2007, a partir de então passou a vivenciar uma nova realidade, não só pelo reconhecimento da sua importância como depositário de um acervo que retrata a história do nosso Estado, mas também pela otimização de suas ações e processos. “É uma honra para o Gabinete Civil e para mim, testemunhar os 50 anos de uma instituição tão valiosa para a preservação da história de nosso estado. Conhecer o Arquivo Público é um direito e um dever de todo o cidadão alagoano”, disse Álvaro Machado, secretário-chefe do Gabinete Civil.
O Arquivo Público de Alagoas foi criado em 30 de dezembro de 1961, e todo o seu acervo está à disposição do público de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h, na Rua Sá e Albuquerque, s/n, Jaraguá. Mais informações pelo telefone: 3315-7879.


Fonte: Ascom Gabinete Civil

sábado, 14 de dezembro de 2013

Vida e Obra de Lucarini




Teatro Deodoro, Palácio Floriano Peixoto, Palácio da Intendência e Tribunal de Justiça, em Maceió. Em Penedo, o Teatro Sete de Setembro. Além da beleza arquitetônica e de guardar muito da história de Alagoas, você sabe o que estes patrimônios têm em comum? Todos foram planejados por um único mestre da arquitetura: Giovanni Luigi Giuseppe Lucarini (1842-1907).

Nascido na Itália, Lucarini é um dos responsáveis pela construção da paisagem urbana de Maceió e Penedo na virada do século XIX para o século XX. No entanto, pouquíssimos são os registros sobre sua trajetória. Foi desta constatação que surgiu a ideia do livro Luigi Lucarini: Vida e Obra. O lançamento será nesta sexta-feira (29), às 18h30, em um dos projetos mais imponentes do arquiteto, o Teatro Deodoro.

“Era preciso um reconhecimento de Lucarini pelas novas gerações. Este livro é o primeiro registro oficial. Decidimos que mesmo o Deodoro estando em reforma, seria lá o lançamento. É uma homenagem ao centenário do teatro”, disse Vania Amorim, trineta do arquiteto e organizadora do livro.

A publicação é resultado de três anos de pesquisas realizadas em Maceió, Penedo, Rio de Janeiro, Nápoles, Roma e Lucca, cidade em que o arquiteto nasceu. Idealizado pelo Instituto do Desenvolvimento Humano (Idesh), por meio de Recursos do Ministério da Cultura (MinC), o obra tem texto final do jornalista Plínio Lins.

Luigi Lucarini: Vida e Obra traz relatos sobre a tradição artística da família Lucarini, a formação acadêmica do arquiteto, a participação - aos 21 anos - na Guerra de Unificação da Itália, e os detalhes sobre sua vinda ao Brasil, ocorrida em meio à crise na Itália e ao movimento europeu para o Novo Mundo. O leitor ainda conhecerá fotos do próprio arquiteto, até então desconhecidas da população.

O livro é muito mais que biografia de um importante personagem da história de Alagoas, são fragmentos da evolução urbana do Estado. Editada em versão bilíngue português/italiano, a obra tem tiragem não-comercial e será distribuída em todas as bibliotecas públicas e faculdades de arquitetura do Estado.

Suana Nobre
http://www.agenciaalagoas.al.gov.br

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

01. "Navio Itapagé" - O Trem da História (+playlist)

10. "Teotônio Vilela" - O Trem da História (parte 2) (+playlist)

09. "Teotônio Vilela" - O Trem da História (parte 1) (+playlist)

06. "Suruagy" - O Trem da História (+playlist)

Doce de caju de Ipioca obtém registro de Patrimônio Imaterial


O “Saber Fazer dos Doces de Caju em Ipioca” é o segundo bem de natureza imaterial aprovado pelo Conselho Estadual de Cultura (CEC). O pedido foi aprovado por unanimidade dos conselheiros, durante a última reunião de 2013, ocorrida na quarta-feira (11), no Museu da Imagem e do Som de Alagoas (Misa).O pedido foi encaminhado em 2012 à Secretaria de Estado da Cultura (Secult) por meio de uma ação coletiva envolvendo alunos, a professora Josemary Ferrare, do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Fau/Ufal, e os moradores no distrito de Ipioca, litoral norte da cidade de Maceió.
De acordo com a Lei Estadual nº 7.285, de 30 de novembro de 2011, foi realizada uma análise da proposição de registro do doce de caju de Ipioca e, a diretoria do Pró-Memória, da Secult emitiu parecer técnico favorável sobre os elementos reunidos no dossiê elaborado pelos solicitantes que reúne fotos, depoimentos, entre outros aspectos referenciais de pesquisas realizadas em 2008 e 2012. A solicitação foi então colocada para apreciação pública, num período de 30 dias e retornando ao CEC para aprovação. Agora, o processo de registro segue com a publicação da homologação do CEC, no Diário Oficial do Estado e inscrição no Livro do Patrimônio Imaterial de Alagoas, na categoria ‘Saberes’.Com o registro, o modo de saber fazer do doce de caju em Ipioca terá seu reconhecimento oficial como manifestação da diversidade cultural do estado, representada através da deliciosa sobremesa produzida por comunidades tradicionais estabelecidas naquela localidade.
Singeleza e Filé
Outras solicitações de registro para o Patrimônio Imaterial de Alagoas foram encaminhadas pelo Conselho Estadual de Cultura. Os bordados Singeleza e Filé estiveram na pauta de discussões da reunião. O pedido de registro do bordado Bico Singeleza foi acolhido pelo Cec. Na ocasião, foi apresentado um histórico de todo o processo de pesquisa e identificação sobre o bordado alagoano que esteve em vias de extinção e que já conta reconhecimento como Patrimônio Imaterial Nacional, através do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan). O processo seguirá para a análise de documentação, dentro dos trâmites, de acordo com a lei estadual. O processo de reconhecimento do bordado Filé Alagoano está na etapa de apreciação pública, com a publicação de 3 de dezembro, no D.O. do parecer técnico que recomenda o registro, garantindo ampla divulgação sobre o processo de patrimonialização desse bem. O pedido retorna para apreciação final do Conselho, após 30 dias, a contar da data da publicação. A reunião contou com secretário de Estado da Cultura e presidente do CEC, Osvaldo Viégas, o secretário-adjunto Álvaro Otacílio Vasconcelos e demais conselheiros representando as seguintes instituições; Seplande, Rede de Pontos de Cultura, Sebrae, Sesc, Sesi, Fits, Academia Alagoana de Letras e Iphan/AL.


Fonte:  Ascom Secult

domingo, 20 de outubro de 2013

02. "Tiroteio na Assembléia" - O Trem da História

Jaraguá: o futuro promissor que não veio para o bairro/Bairro chegou a ser revitalizado na década de 90, mas projeto foi abandonado

Um crescimento vindo do mar. Assim pode ser definido o surgimento e a expansão do bairro do Jaraguá, que traz em sua arquitetura a história de Maceió.  Em espaço privilegiado, entre o Centro, Poço e Pajuçara, a comunidade foi se formando muito antes do desenvolvimento de Maceió. Na época, a capital ainda era a cidade de Marechal Deodoro, mas aos poucos, com a vinda de algumas repartições públicas houve a transferência.  Jaraguá é um bairro de grandes tradições, local que foi moradia dos antigos senhores de engenho, proprietários dos enormes casarões, e também espaço que abrigou pescadores.
Em 1818, Jaraguá era considerado um lugar de “futuro promissor”, quando foram sendo erguidos os primeiros armazéns, sobrados, junto com a Igreja de Nossa Senhora Mãe do Povo, construída pelo português Antonio Martins. Mesmo nos séculos passados, a realidade de contraste era presente na comunidade. De um lado foi se formando os prédios com arquitetura portuguesa e do outro a aldeia de pescadores, que chamava atenção de quem passava pelo local. Entre o meio termo sempre esteve o Porto de Maceió, que gerou riquezas para aqueles senhores e emprego para os trabalhadores locais, e também deu origem ao nome de Jaraguá.
Foi de lá que desembarcaram grandes figuras, como o primeiro governador do Estado de Alagoas, Sebastião Francisco de Melo. O desenvolvimento e as riquezas eram evidentes, e com isso veio à expansão do comércio. Os galpões de açúcar deram espaço ao mercado varejista, com lojas de variedades, como artigos para o lar, peças de automóvel, sapatarias, padarias, farmácias e outros estabelecimentos. Das décadas passadas, o comércio do Jaraguá, que já disputou espaço com o Centro da capital, continuou vivo, porém em eminência de fechar suas portas.  Desde a sua fundação, o bairro passou por algumas modificações, mas sempre carregou consigo o aspecto de abandono. A Igreja de Nossa Senhora Mãe do Povo passou muito tempo de portas fechadas, sem a visita de fiéis e sem apoio público para manter sua estrutura.
No século XX veio a decadência do bairro. Na década de 90, a revitalização, promovida pela Prefeitura de Maceió, trouxe de volta ao bairro um pouco de vida, com a restauração de ruas, casarões e prédios. Quem era adolescente na década de 90 viveu bons momentos no bairro de Jaraguá com os espaços de diversão e lazer que foram instalados. Poucos resquícios sobraram e a movimentação da Igreja foi um deles. O templo atualmente é disputado pelas noivas para realização de cerimônias de casamento. Mesmo com o investimento do setor público e da iniciativa privada, o bairro se tornou um lugar sombrio à noite.

 Por Gilca Cinara - Cada Minuto Press

domingo, 6 de outubro de 2013

Pesquisa revela que mais de 2 mil turistas visitaram a Serra da Barriga


No primeiro trimestre, a pesquisa mostra que o total de visitantes foi de 1.269
Dados cedidos à Secretaria de Estado do Turismo (Setur-AL) pela Secretaria Municipal de Turismo de União dos Palmares revela o número de pessoas que visitaram a Serra da Barriga, no primeiro semestre de 2013. Um total de 2.161 turistas, entre brasileiros e estrangeiros, passaram pela região de janeiro a junho.
No primeiro trimestre, a pesquisa mostra que o total de visitantes foi de 1.269. Entre os brasileiros que estiveram na serra, 748 são da região Nordeste e 408 são do Sudeste, sendo 271 só do mercado emissor de São Paulo. Já os estrangeiros vieram da Europa e América Latina.
O fluxo de turistas registrado no segundo trimestre foi de 892. A maioria foi da região Nordeste, 716, e do Sudeste foram 135 pessoas. Os estrangeiros vieram da Europa e América do Norte.
A Serra da Barriga, Patrimônio Histórico Nacional, é muito procurada por possuir um dos maiores ícones do período escravocrata da luta contra a escravidão, Zumbi dos Palmares.
Para quem gosta de se aventurar, União dos Palmares oferece, além da trilha na Serra da Barriga, o Engenho Anhumas onde se vivencia a magia do lugar e o resgate da era dos negros. São passeios que unem turismo de aventura cultural e étnico.
A região dos quilombos, uma das cinco de Alagoas, composta por 23 municípios – de acordo com o recorte do Plano Estadual de Turismo e ativamente trabalhando o turismo vocacional da região– vem sendo desenvolvida turisticamente através dos segmentos de ecoturismo, turismo de aventura, gastronômico, cultural e étnico, este último já consolidado pelo seu forte agravo histórico e cultural.


Por Guiomar Novais http://www.tribunahoje.com/

domingo, 22 de setembro de 2013

Prefeitura prioriza orla enquanto Jaraguá está aos escombros

As belas praias, os coqueirais, as avenidas largas, os restaurantes e bares que acolhem turistas e nativos. Com todos os seus encantos, a orla de Maceió enfeitiça a maioria dos alagoanos e por isso mesmo tem sido a “menina dos olhos” de todos os prefeitos da capital – ao menos nos últimos 30 anos.
Com Rui Palmeira não será diferente que decidiu nomear um gestor para cuidar caprichosamente da orla. A novidade foi anunciada pelo prefeito, nesta sexta-feira, 20, em reunião com representantes da ABIH-AL – associação que reúne os donos de hotéis da capital.“O gestor será meus olhos na orla da cidade. A prefeitura também vai colocar na orla uma equipe de Assistência Social e de fiscais da SMCCU para junto ao gestor encontrar soluções e sanar os problemas”, disse o prefeito.A iniciativa do prefeito é boa.  Melhor seria, claro, que também fossem nomeados “gestores” para outros locais não menos importantes para os moradores da cidade e para os turistas do que a orla.
É o caso do Centro e Jaraguá, locais que deveriam ser tão importantes para o turismo quanto as praias, embora nem a prefeitura nem os donos de hotéis enxerguem isso.
Mesmo contra lógica, o turismo de Maceió continua vivendo quase que exclusivamente das nossas praias. Que o digam os artesãos da praça Sinimbu e do Mercado do Artesanato.
Um bairro à beira do “tombamento”

O caso de Jaraguá é emblemático. Na era Kátia Born /Ronaldo Lessa o bairro era ponto de encontro artístico e cultural, reunia artistas, boêmios e virou um importante centro empresarial.Tombado pelo patrimônio histórico, o bairro hoje está fora da rota da gestão municipal e vive hoje sobe a ameaça do “tombamento” como diz um amigo que trabalha na região: “corre o risco de uma parece tombar na cabeça da gente”.Não bastasse a recente transferência da sede da prefeitura, que funcionava em Jaraguá, para a Pajuçara, o bairro histórico tem alguns casarões ameaçando desabar na Sá e Albuquerque, as calçadas estão esburacadas e tem sido “invadido” por moradores de rua, flanelinhas e dependentes químicos.
A Associação Comercial de Maceió, cujo prédio simboliza a imponência de Jaraguá, silencia inexplicavelmente diante do abandono do bairro .A defesa vem diretores de entidades que funcionam no bairro – é o caso da Asplana (Associação dos Plantadores de Cana)  e Coplan (Cooperativa dos Plantadores de Cana) lamentam a mudança da prefeitura do local.
“Vamos nos movimentar e pedir que o prefeito olhe por este bairro. Do jeito que está, corremos risco de um acidento com desabamento de um prédio ou de sermos abordados, como é comum, por marginais. É preciso que se olhe para Jaraguá”, defende o presidente da Asplana, Lourenço Lopes.Orla de Maceió vai ganhar gestor Os empresários do setor hoteleiro aprovam, é claro, a iniciativa da prefeitura. Eu também aprovo, claro, até porque moro na Pajuçara. Mas o fato é que acredito que existem outras prioridades.


Edivaldo Júnior
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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O 16 de Setembro de 1817 não foi uma farsa

Em 1817, a capitania de Pernambuco tinha a economia mais importante do país. Com a decretação do fim do monopólio português sobre o comércio, a chamada abertura dos portos de 1808, o grande desenvolvimento do algodão pernambucano unia os interesses dos mercadores da capitania aos interesses dos ingleses, em detrimento dos comerciantes de Lisboa. Como a Corte lusitana estava no Rio de Janeiro desde 1808, o conflito entre Pernambuco e a Coroa portuguesa por mais autonomia transformou-se na luta entre Recife e o Rio de Janeiro pela liderança política no processo de Independência da nação brasileira.
Como o Rio defendia uma Independência pelo caminho de uma monarquia constitucional, Recife só poderia defender uma Independência por uma via diferente e mais de acordo com seus interesses regionais, daí sua tendência ao republicanismo, mesmo que não fosse um republicanismo radical, democrático e contrário à escravidão africana.
O nativismo na região de Recife sempre foi muito forte desde a época da expulsão dos holandeses, ou seja, os recifenses sempre estiveram dispostos a defender os direitos locais contra autoridades portuguesas que os quisessem ignorar. É esse nativismo que vai levar parte da elite pernambucana a propor, em 1817, um movimento político armado pela a autonomia da capitania em relação às Cortes de Lisboa e ao Rio de Janeiro. A dita Revolução Pernambucana de 1817 não apelou à população como um todo, consistiu mais um movimento das elites políticas, militares e comerciais em defesa dos seus direitos e privilégios. Propunha que apenas os proprietários rurais e os grandes comerciantes pudessem votar e tratou de esclarecer em alto e bom som que não defendia a abolição da escravatura.
Na comarca das Alagoas, as notícias sobre o movimento recifense chegaram por meio de José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima, conhecido como Padre Roma, representante autorizado do governo revolucionário. O sacerdote passou três dias distribuindo panfletos e documentos entre os militares e partiu para sublevar a capitania da Bahia, onde foi preso e executado. As diferenças entre os interesses econômicos da comarca de Alagoas e os da cidade de Recife, bem como a improvisação e a falta de consistência ideológica que ficavam patentes no movimento, fizeram com que as propostas trazidas pelo Padre Roma não convencessem a maior parte das elites locais e do povo alagoano (na época se dizia “alagoense”) a lutarem contra as poderosas forças do Rei. Mesmo assim, houve adesão de algumas lideranças locais significativas e mesmo de cidades, como foi o caso de Penedo, que nem sempre foi “mui leal” ao Rei. Vitorino Borges da Fonseca, de alta patente militar, e Manuel Vieira Dantas, influente senhor de engenho e pai do futuro Visconde de Sinimbu, aderiram ao movimento, foram derrotados e tiveram que fugir da comarca.
O Conde dos Arcos remeteu tropas legalistas por Penedo, Maceió e Porto de Pedras. O ouvidor Antonio Ferreira Batalha, maior autoridade da comarca das Alagoas, liderou a reação contra o movimento, atuando principalmente por meio da concentração de tropas e do desmembramento da comarca das Alagoas da capitania de Pernambuco e de sua anexação à capitania da Bahia. Segundo o historiador alagoano Craveiro Costa, aquele desmembramento foi mais importante para garantir o apoio da elite alagoana do que qualquer uma das medidas bélicas.  A elite vislumbrou a possibilidade de aproveitar a oportunidade para emancipar-se da subordinação economica e política a Recife.
Como o porto recifense tinha o monopólio legal da exportação, o açúcar e o algodão produzidos no sul de Alagoas e nas cidades dos atuais Agreste e Sertão da comarca tinham seus custos acrescidos por grandes despesas de transporte, diminuindo muito a renda das elites locais, com repercussões negativas para a massa da população. Até vilas algodoeiras de Pernambuco, como Garanhuns, localizavam-se muito mais próximas de Maceió do que de Recife, mas seus produtores se obrigavam a transportar em lombo de burros os fardos de algodão mais 50 km. O algodão produzido no Rio são Francisco tinha que percorrer todo o litoral alagoano e metade do litoral pernambucano para ser embarcado.
A emancipação política das Alagoas, comarca que passou a capitania em 16 de setembro de 1817 e, em 1821, tornou-se província, foi resultado da diferenciação secular entre o sul e o resto de Pernambuco. Alagoas desde o início foi uma região na periferia do centro recifense, constituiu-se como luso-brasileira num momento distinto e teve bifurcações históricas específicas, sendo a alternativa proposta pelo Quilombo dos Palmares a mais importante, pois retardou o enraizamento da sociedade escravocrata e exportadora luso-brasileira no melhor século para o açúcar, dando-lhe especificidades geográficas, econômicas, culturais e políticas.
O Rei pode ter antecipado a emancipação das Alagoas para enfraquecer politicamente Pernambuco, mas isso não garantiria a existência autônoma da nova capitania se não viesse ao encontro dos interesses dos alagoanos e representasse uma efetiva diferenciação. O que se comprovaria em 1824, quando a província de Pernambuco propôs novamente a união das províncias do Norte numa entidade política independente e as elites econômicas e políticas alagoanas novamente emprestaram seus recursos e território para que as tropas do Rei derrotassem a Confederação do Equador. Alagoas não foi uma dádiva do monarca, foi e é uma construção dos alagoanos.

Golbery Lessa

domingo, 15 de setembro de 2013

Revolução Pernambucana de 6 de março de 1817, As teses sobre a emancipação política de Alagoas 16 de setembro 1817.

A chamada revolução pernambucana na verdade foi uma insurreição dos pernambucanos contra os pesados impostos e descontentamento do monopólio comercial dos portugueses, no Brasil controlavam todo o comercio que era proibido para os Pernambucanos comercializara na capitania, atraídos pelas ideias iluministas setor da sociedade como Lojas Maçônicas, Seminário de Olinda padres como João Ribeiro e Miguelinho organizaram o movimento de sedição; Nesse contexto se deu a chegada da Família Real portuguesa para o Brasil em 1808 com a ocupação de Portugal pelos franceses, para cobrir os custos da corte no Brasil foram aumentados os impostos provocando revoltas da sociedade pernambucana da aristocracia rural até as camadas populares, gerando um clima de uma rebelião em Pernambuco. 
Sabendo da conspiração, o Governador Caetano Pinto de Miranda, prendeu os conspiradores. O major José de Barros Lima o Leão coroado resistiu e matou o oficial português que foi prendê-lo, a Cidade de Recife foi dominada pelos rebeldes, que constituíram um governo revolucionário a República Pernambucana. As primeiras medidas foram acabar com todos os títulos de nobreza e aumento do soldo militar foi ainda enviado para as províncias do norte e nordeste revolucionários para propagar as ideias da revolução, entre os revolucionários o que mais se destacam, diácono José Mariano de Alencar, Padre Roma; que no dia 29 de março de 1817, o Conde dos Arcos, representando os Bragança, mandou fuzilar o maçom Padre Roma – José Ignácio de Abreu e Lima, no Campo da Pólvora, em Salvador.
Na Província de Alagoas (parte sul de Pernambuco), em são Miguel dos campos parte da aristocracia participou do movimento, o senhor de engenho Manoel Vieira Dantas e sua esposa Ana Lins defenderam as Ideias da revolução pernambucana de 1817 e o comandante das armas de Alagoas Victorino Borges, influenciados pela propaganda do Padre Roma quando passou por Alagoas do Sul; a repressão em alagoas foi organizada pelo Ouvidor Batalha da cidade de Atalaia fiel a coroa, desmembrou Pernambuco, anexando a Bahia e criou um governo provisório até a restauração de Pernambuco, tiveram a participação das tropas vindas da Bahia para reprimir a Revolta. A reação das tropas portuguesas foi radical, atacaram Pernambuco por terra e também por mar cercando o porto de Recife com uma grande esquadra, levando a capitulação dos revolucionários. Os que não morreram em combate, foram fuzilados.
 Sobre a revolução Pernambuco 1817 e sua relação com emancipação a politica de Alagoas, existem duas teses, os Historiadores Alagoanos defendem que a nossa emancipação foi fruto da autonomia econômica e outra a covardia dos alagoanos, que fugiram da revolução e ficaram fiel  ao governo de D. João VI, os Historiadores Alagoanos São unânimes em afirmar que o aspecto econômico foi determinante na emancipação de alagoas  eles  secundarizam  o movimento da proclamação da republica Pernambucana de 6 de março de 1817, uns são contraditórios, falam em “fidelidade da aristocracia Alagoana” a coroa Portuguesa, e que “traição que deu certo”
Nos livros sobre de história de alagoas eles defendem essas teses: História da civilização das Alagoas de Jaime da Altavila (... ) Tal prosperidade foi certamente que levou  D. João VI a decretar , aos 16 de Setembro de 1817 a sua emancipação, também Isabel Loureiro afirma em seu livro História de Alagoas (... ) a verdade é que alagoas foi emancipada porque já era Comarca desde 1706 e por seu desenvolvimento socioeconômicos e político”   já livro história de Alagoas Álvaro  Queiros  aponta pistas para a tese que a emancipação foi um castigo a Pernambuco a revolução 1817, ele cita  (...) um premio  de Alagoas  pela sua fidelidade á coroa Portuguesa”. , mais defende quer contexto da emancipação tinha 200 engenhos de açúcar, portanto esses fatos conjugados influenciaram a emancipação política. No livro Raízes de Alagoas, escrito por Divaldo Suruagy e Ruben Wanderley os autores relacionam  a tese quer o alvará de 16 de setembro de 1817 tinha o objetivo de  enfraquecer Pernambuco, mais ainda ressaltam a tese econômica, na afirmação (...)A comarca de Alagoas, criada em 1706 , já apresentava, em 1730 uma renda superior á capitania  da Paraíba”; Jair Barbosa na pagina 18 , com  o titulo” a traição que deu certo.", aponta a emancipação foi fruto de uma traição da aristocracia alagoana no livro História de Alagoas dos Caetés aos Marajás.
Com o Alvará de D. João assinou (...) sou ser­vido isentá-la absolutamente da sujeição, em que agora esteve do governo da Capitania de Pernambuco, erigindo-a em capitania, com um governo independente que a reja na forma praticada nas mais capitanias independentes”. Nomeou o coronel Sebastião Francisco de Mello Póvoas o primeiro governador, que chegou no dia 27 de dezembro de 1817, desborcou no porto de Jaraguá; suas primeiras medidas instalação da junta administração, Arrecadação da real Fazenda e construção do Quartel da policia, onde hoje é o comando geral da PM.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A Mudança do Cofre da cidade de Alagoas para a vila de Maceió O Levante 1839






Com a chegada do segundo presidente da Comarca de Alagoas Agostinho da Silva Neves para tomar posse ocorreu um conflito entre a cidade de Alagoas. (atual Município de  Marechal Deodoro),
 e a vila de Maceió , a revolta entre os alagoanos do sul e maceioense se deu em relação a transferência da capital da província de Alagoas para Maceió. A vila de Maceió começou a se desenvolver em torno do porto de Jaraguá em relação  ao comercio de exportação de matéria prima para Inglaterra (revolução industrial), o Primeiro presidente da  Capitania de alagoas  Melo e povoas instalou a sede administrativa em 1819 em Maceió,  devia ser em Santa Maria Madalena da lagoa do sul que era constituída de Sede Jurídica, Religiosa e Militar no Período da emancipação de Pernambuco 1817.

Segundo o professor Theody Augusto de Barros os motivos da transferência foi localização geográfica foi o grande fator  para a transferência a evolução comercial de Maceió e  a prioridade de Melo e povoas  foi o burgo litorâneo de Maceió. A medida do governador Agostinho da silva Neves de mudar a Tesouraria da fazenda Real de Alagoas para a vila de Maceió com a Revanche acumulado pelos Habitantes da cidade de Alagoas das medidas de Melo e Povoas. Foi o estopim do levante entre as aristocracias rurais contra o levante Viera Cansanção do Sinimbu (vila de Maceió), a favor do levante O juiz José Tavares Bastos; o Historiador Thomaz Espíndola  chama atenção que não houve disputar entre senhores de engenho e comerciantes como na guerra dos a mascates em Pernambuco mais sim entre facções  dos dois locais.


O levante tem inicio quando a população da cidade alagoas solicitar ao juiz Tavares Bastos Realizasse um despacho para  suspender  a transferência ,o documento encaminhando ao chefe do governo teve a assinatura 106 pessoas assinaram entre eles , o major Mendes da Fonseca o Padre Francisco de Assis e o juiz Tavares Bastos liderou o levante influindo  para o povo se rebela-se  contra o governo, Agostinho da Silva Neves, já o governo utilizou de forte repressão realizando prisões de quem subscrevesse  e representação entre os quer  assinaram o documento  o Major Manoel Mendes da Fonseca ,Padre Francisco  Assis Ribeiro


O Major Manoel Mendes da Fonseca  chefe da Guarda do palácio  prende no  o governador Agostinho da Silva Neves, o palácio governamental foi cercado pelo povo  a as tropas, o movimento teve apoio também câmara de Vereadores e os revoltosos alagoanos  nomearam  Tavares Bastos para o governo  na cidade de Alagoas, mais  João Vieira Cansanção do sinimbu reprimiu o movimento reunindo as tropas  em Maceió e com auxilio das tropas de Pernambuco e Bahia  marcharam contra a capital das Alagoas.
Encerrando esse episódio  da História da Alagoas o conflito entre  a vila de Maceió e a cidade e de alagoas envolvendo  os setores da  Aristocracia rural representado por Tavares Bastos e João Lins Vieira Cansanção em relação  a transferência  da capital para Maceió, logo após  ao levante, Agostinho Silva Neves fez a transferência  da tesouraria para Maceió no dia 8 de dezembro de 1838  fica decretada  a resolução  em artigo único que  a cidade  de Maceió será a sede do da capital  da província .


Por: Prof. André Cabral